quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Resenha: Nas Asa da Borboleta



ÍVI CAMPOS surgiu certo dia na minhapage comentando sob seu livro e me oferecendo um exemplar para ler. Admito que primeiramente eu não me senti disposta; há muito que, pra mim, a literatura nacional perdeu a graça. Depois de algumas decepções, eu havia dito a mim mesma que não mais leria livros de autores sem certa “fama” ou aclamados pela crítica. Mas, Ívi parecia diferente. Primeiramente ela era extremamente educada, e depois em nenhum momento ela considerou que estava colocando algo perfeito ao meu dispor (acreditem, tem muito autor que te oferece livro como se ler sua obra fosse um presente de Deus ao qual você devia ser eternamente grato!). Ívi parecia mais uma autora querendo uma critica, sendo ela boa ou má. E foi por isso que a coloquei na listinha de leitura.

Aceitei. E, realmente, não me arrependo.

Recebi o livro ontem, li 25 páginas, e hoje o salvei no desktop dos dois pcs (do trampo e de casa) e em cada momento de folga o li. Então, parabéns pra mim que conseguiu ler a obra enorme tão rápido, (rs). Sim, foram mais de 300 páginas em dois dias.

O livro tem uma narração muito boa, a Ívy não comete erros, nem de gramatica, nem de ortografia (eu pelo menos não vi nenhum significativo ou que me incomodasse). Sua narração, ora melancólica, ou realista, me lembrou muito o Sérgio Camash (outro autor que gosto muito). Acho que ela pegou perfeitamente o drama e o enredo de ser mulher num país chamado Brasil.

De cara, logo no prólogo, somos confrontados com Fatima, uma grávida que tem que trabalhar para sustentar o marido alcóolatra.  Saliento que o texto inicia-se no final dos anos 70, onde casar era obrigação feminina e divórcio era impensável.

Fátima, a faxineira que sustenta a família, é a mãe de Natalia, a protagonista. A força e coragem das duas são bem acentuadas, mesmo quando os destinos de ambos se desencontram. Não são mulheres fracas ou frescas, são guerreiras numa sociedade que ainda coloca a mulher como um ser “a parte”, algo que não merece consideração.

Mesmo o tempo que transcorre (dos anos 70 até depois da virada do século) demonstra que algumas conquistas femininas são feitas, mas no geral a mulher continua a ser vitima, muitas vezes de si mesma.

O livro, narrado em primeira pessoa, constrói bem a protagonista. Você sabe como ela é, do que gosta, até dos atores que ela considera mais bonitos. Você entende como ela cresceu, quais são seus valores, e também as pequenas características (como ler bons jornais, etc) que a transformaram numa profissional de sucesso. Mas, acima de tudo, você compreende a necessidade simples e quase instintiva de mulher: Natalia quer amar, ser amada, construir uma família e ter filhos.

Tão simples, ne?

Mas, essa coisa “simples” é uma das mais difíceis que alguém pode ter.

O livro é altamente filosófico. Ele não tem muito enfoque em situações e sim em pensamentos. Nisso ele pode ser um pouco cansativo, já que eu estou acostumada a algo mais “elétrico”. Parecia que tudo demorava muito para acontecer, e tinha horas que me via pulando algumas páginas, em busca de mais emoção.

Ívy trouxe na obra também um personagem que surpreendeu E, fushojismo a parte, acho que o melhor amigo dela foi a agradável surpresa da obra. Gentil, educado, perfeito... a autora conseguiu a façanha de não estereotipar, o que é uma grande coisa na nossa atual literatura. Também é dele os momentos cômicos, as tiradas certeiras, e as hilariantes comparações entre homens e mulheres. Apesar de, não nego, preferir ele gay (só gay!).

Nas Asa da Borboleta é um livro de uma mulher para mulheres. Ele trata de questões simples, e outras mais complexas, em momentos distintos e com muita delicadeza. Escancara a realidade de muitas (fingir orgasmo apenas para não decepcionar o parceiro) e também traz o poder de uma amizade sincera e gentil. Você se surpreende com a carga dramática e emocional que carrega alguns personagens, e também se emociona com outros.

É uma boa surpresa dessa nova leva de escritoras.

6 comentários:

Suellen disse...

Hum... Gostei da resenha e de saber do livro. Muito interessante o tema e a autora pelo que deu para entender de sua resenha.

Gostei!

Ivi Campos disse...

Josiane, apenas hoje estou lendo a resenha do meu livro. Não sabia que você já tinha lido e fiquei apreensiva quando comecei a ler. Muito obrigada pelo seu apoio. Obrigada por sua crítica!!!

Laís Caparroz disse...

Eu li o livro em menos de 24 horas, não conseguia parar de ler antes de chegar ao final... não é uma obra perfeita, mas é cativante, principalmente no contexto de hoje onde todas nós mulheres buscamos ser mais e melhor... Adoro o livro e já estou lendo novamente... Comprei pra várias amigas e aconselho todo mundo a ler...

Regiane de Oliveira Lopes disse...

Este livro é simplismente incrível! Foi emocionante ler definições de emoções e sentimentos que o dicionário trata de forma tão subjetiva.
A forma como este livro foi escrito e o desenrolar da história foram tão envolventes que fiquei extasiada! E, sinceramente, este livro me fez mudar a visão que tinha de algumas coisas.
Amei a obra e estou ansiosa pelas próximas!!

Kelly Silva disse...

Eu também li bem rápido, ficava ansiosa pelo rumo da história e próximos acontecimentos. Me identifiquei com algumas situações e me diverti muito também! Super recomendado!

Valéria Barros disse...

Amei o livro do início ao fim. Me encantei com a forma simples da narrativa, dei gargalhadas e me emocionei também. Em alguns momentos parei para refletir sobre coisas simples da vida que na correria do dia a dia passam despercebidas. Recomendo a leitura, não só uma vez, mas várias!