terça-feira, 5 de março de 2019

Minhas Três Primaveras - R. Christiny

INSPIRADO EM UMA HISTÓRIA REAL
CONTÉM CENAS FORTES
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
CONTÉM LINGUAJAR INAPROPRIADO
"Alguns sorrisos são muito mais do que simples curvas. Ás vezes eles também podem proferir grandes ameaças."

Meu nome é Luz, mas há um paradoxo em meu nome, se você observar mais de perto, verá que a minha vida é uma angustiante escuridão. As minhas escolhas não foram as mais sábias e os meus amores foram os mais errados.
Eu sempre acreditei que a morte viria de uma única vez, paralisando o coração e impedindo a respiração. Pensei que a dor fosse súbita e implacável, mas isso é uma terrível mentira. A morte pode dar um golpe fatal ou pode corroer seu corpo e sua mente, te lançando no abismo da loucura antes mesmo que você possa dar seu último suspiro.
Minha vida foi marcada por três primaveras e sei que antes de eu terminar de contar minha história, você já estará se questionando se ela é de fato real e irá querer saber como pude suportar tanta dor por todos esses anos, mas a verdade é que eu não suportei. Eu já estou morta, e foi em 1983 que eu comecei a morrer.

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O QUE A JOSY ACHOU?
Eu já conhecia o trabalho da autora por conta da obra "E se ela soubesse?" que me deixou em total estado de contemplação pela originalidade e estrutura de texto.

Então, quando saiu "Minhas Três Primaveras" estava ansiosa para ler. Acontece que quando se é escritor - e se vive disso - a gente acaba por não ter tempo de ler em meio a tanto trabalho de escrever e pesquisar. Minha vontade de conhecer o trabalho dela foi deixado de lado até que acabei ganhando feriadão prolongado e pude mergulhar nas suas linhas.

Vou ser bem franca, porque eu não sou de nenhuma panela e não tenho que puxar o saco de ninguém. Para mim, Renata é disparado uma das melhores escritoras do país e não está dentro das listas de mais vendidos pelo motivo óbvio: ela foge dos clichês e é material de bestseller internacional.

De todos os autores que despontaram nos últimos anos - eu me incluo nisso - não vejo mais ninguém com a capacidade de fazer sucesso lá fora, porque sua escrita é extremamente bem encaminhada, fora dos padrões, e tem uma linguagem universal, humana, que atinge qualquer um que lê.

Quando eu comecei a ler esse livro, fui avisada que odiaria Luz, a protagonista, o que não aconteceu de imediato. A história dela é muito parecida com a de muitas mulheres da década de 70 e 80, incluindo minha mãe (e pra quem não sabe, minha mãe conseguiu se livrar do marido abusador após aguardá-lo chegar em casa escondida com um pé de cabra. O cara pôs o pé na porta, e ela meteu o pé-de-cabra na cabeça dele. Ali ela conseguiu o divórcio e se tornou a escória da cidade e da família, porque virou mulher divorciada numa cidade de pouco mais de 5 mil habitantes no interior do RS em pleno início da década de 70). 

Mas é assim, gente. Naquela época, mais que em qualquer outra, era comum a mulher ser uma espécie de propriedade obediente. Abro um parênteses para a construção de Enrico, o antagonista da primeira fase. Renata claramente estudou o personagem. Um abusador não surge do nada, ele vem de uma história de abusos, e isso foi destacado no texto da Renata.

Já no decorrer do livro, percebemos Luz tentando reconstruir a vida ao lado de Leôncio, um médico dedicado, que acabava tendo vícios - algo comum, tenho amigos médicos e sei que o estresse deles vai para as alturas por conta do trabalho - mas que se mostrou homem de ajudá-la e ampará-la em alguns momentos.

Eu não sou adepta de que uma pessoa pode mudar a outra, isso, na vida real. Acredito que todos já tem seu caráter e que as situações apenas destacam isso, mas vejo que Luz mudou Leôncio para o mal.

Ele era a pessoa mais racional do livro, mas ela foi infantil tantas vezes, que acabou transtornando-o deveras. Se o pai de Eurico o transformou num monstro, foi Luz que fez isso com Leôncio.

Por ex: na metade do livro eles discutem e ela vai embora. Ele a procura e a acha num hotel com outro homem. Ela não o traiu, mas se recusa a responder isso para ele, fazendo com que ele acabasse por odiar o próprio filho, já que ela nunca deixa a entender se a criança é mesmo dele.

O motivo de tudo: ela fica ofendida por ele ter questionado se ela dormiu com outro homem.

Veja bem: a mulher saí de casa e ele a encontra num hotel com outro homem. Quem não questionaria isso?

A própria Luz parece se esquecer que ela PENSAVA SIM EM TRAI-LO com o homem. Não o fez porque esse homem não a quis. Uma mulher madura, se é vista num hotel com outro homem e não deve nada, explica-se para seu marido.

Tirando a parte de Eurico, acredito que a maior parte das dores de Luz foi provocada por ela mesma.  

E então chegamos a terceira primavera, quando ela se auto destrói pelo que podemos considerar o mocinho da obra. Nesse momento ela esquece que tem um filho para criar, filho pelo qual lutou tanto.

É difícil simpatizar com Luz quando ela é realmente burra em diversos momentos da história. Talvez tenha sido a intenção da Renata, que nós acabássemos nos aproximando mais dos antagonistas (mesmo eles cometendo barbaridades), mas mesmo assim é um livro marcante, que eu recomendo sem medo.

Eu não chorei em nenhuma cena (disseram-me para preparar os lencinhos), mas fiquei com ódio mortal na maior parte do livro. 

É uma obra bem realista. Renata não tem medo de ser crua, e o faz com competência.

 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

OPINIÃO - Inside - A sujeira do mundo literário

Inside é um livro sobre relatos de uma escritora que desistiu.
Depois de descobrir que o mercado literário não passava de uma mentira, Coraline Dalto Dutra decidiu contar de forma detalhada todas as coisas ruins que lhe aconteceram e sobre toda a sujeira por trás dos bastidores das publicações. Em poucas páginas ela nos fala sobre como funciona o mercado literário e nos conta sobre todas as editoras desonestas que passaram por sua vida e todas as pessoas que a enganaram e que continuam enganando outros autores por aí.
Se você faz parte desse maravilhoso universo das letras, cuidado, seu nome pode estar escondido em algum capítulo.


IMPORTANTE - ESSE TEXTO NÃO É UMA RESENHA OU ANÁLISE. É UMA OPINIÃO COM EXPERIENCIA PROPRIA BASEADA EM CIMA DO EXCELENTE LIVRO ACIMA.

Ahhhh céus, quando vi esse livro num grupo literário, soube na hora que precisava lê-lo. Talvez porque eu esteja no ramo, talvez porque eu tenha passado por quase tudo que a protagonista passou, enfim, eu sabia que era necessário, e então corri atrás dele.
Se você ainda não leu, baixe aqui.

A protagonista da obra narra suas desventuras no mundo literário e, como já diz a sinopse, ela desistiu dele. Acho que a diferença entre nós (eu que não desisti), já se explica no primeiro capítulo:

"O que minha geração não entende, e que só agora consegui entender, é: nós não precisamos gostar do nosso trabalho, só precisamos fazê-lo"
 
De fato, acho que quem se mantêm por amor está fadado a desistência. Eu me mantenho porque é meu trabalho. E não, não é todos os dias que quero fazê-lo. Mas, me forço a cumprir as metas diárias, não importando o custo.
Eu só preciso fazer, e faço.
Coraline, a protagonista, já pensava mais com os sentimentos, ela mesmo admite que via a profissão com romantismo. 
No meu caso, não existe romantismo nenhum nos dedos com LER, sangrando nas juntas, no desgaste psicólogico, no estresse da revisão, nas porras das críticas sem fundamento, na vontade de escrever algo mas saber que aquilo é sem futuro, e entender que preciso escrever o inverso porque vende e eu pago meus boletos assim.

Ah, Josi, que frieza...

Pois é gente. É por isso que tô nessa há vinte anos. E eu já passei os meus. Até 2015 eu era a pessoa indicada pela agência nacional da AIDS, mas que não fazia R$ 20,00 reais por mês em vendas de livros. Nessa profissão, ou você é frio, ou ela te engole.
Fora o coleguismo... meu Deus...
Tem tanta gente preparado pra te dar a facada nas costas que seus olhos passam a andar pelo lado traseiro. A autora, aliás, faz uma analise sobre os tipos de autores nacionais e eu gargalhei com ela, porque definiu tudo exatamente.
Eu poderia ficar horas aqui narrando tudo que aconteceu, mas vou me centrar na ideia do livro de Camila: Literatura é pra quem tem estômago. O mercado literário é um show de falsidade. O ego domina o meio.

Outro ponto de destaque é as editoras safadas. Ah, cheguei a rir das armadilhas que a autora caiu. Não vou negar. Já passei os meus perrengues também, especialmente em eventos. Certa vez paguei 900,00 reais para estar num stand, levei os livros numa mala, e a editora não tinha nenhum trabalho além de me oferecer a mesa. No final de tudo, demorei um tempo pra receber o valor das vendas e para piorar, soube que a editora (quando soube q eu iria com outra no evento do ano seguinte) disse que eu desprezei quem deu uma chance no ano anterior (chance? Eu paguei quase mil paus por meia hora numa mesa!)

Outra coisa que, fazendo um parêntese comigo, eu senti muita diferença entre mim e a autora é que, talvez, pela falta de uma família estruturada, um pai durante minha vida, eu realmente me tornei casca grossa, e faço das perseguições um modelo de divulgação.
A autora em questão claramente se sentiu abalada com isso. Ela até chorou quando recebeu a primeira cantada literária de um colega. Já recebi até fotos de pinto de colegas kkkk Mas, ponho banca, faço cara feia, chego junto, é meio dificil um homem abusador se atrever pra cima de alguém como eu, acostumada aos berros e gritos.

Enfim, li o livro em menos de duas horas. Foi viciante. Comecei a ler as 11 horas da manhã e as 13 horas do mesmo dia (15/01) já estava escrevendo essa opinião.  Leitura obrigatória para autores em início de carreira. Leitura divertida para quem já passou por tudo isso.

Recomendo.




terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Tênis para zumba!!!

Simmmm, esse é um blog literário, mas a autora aqui também faz zumba e tipo, acho que estava na hora de eu fazer um desabafo sobre a maior dificuldade sobre praticantes dessa arte no Brasil: Achar um tênis.

Zumba, para quem não sabe, mistura dança com movimentos aeróbicos, portanto, precisa de um bom tênis para o impacto, etc e tal.

Blablabla sem importância, vamos ao principal: tão logo comecei a fazer, já nos primeiros meses, senti muito a dor na panturrilha e nos pés. Eu sabia que o tênis podia estar me dando esse problema, então comecei a procurar na internet pela melhor marca, e descobri que - OLHA SÓ QUE LEGAL! - NÃO EXISTE TENIS ESPECIFICO PRA ZUMBA NO BRASIL. Claro, você pode comprar de fora, os da marca abaixo, mas depois dessa coisa do correio de importações, estou toda atrapalhada com esse negócio novo de taxa e resolvi pegar os nacionais mesmo.

Já que brasileiro não desiste nunca,  fui atrás de resenhas, e tudo que consegui encontrar eram conselhos em diversos sites para a marca Nike.

Então vai a Josi gastar alguns realzitos a mais do salário e comprou um hyper mega nike super estiloso, foda e caro. Me sentia a moça do flashdance preparada para as piruetas na aula.

Mas, bastou uma aula para eu saber que o tênis, apesar dos diversos indicadores na internet, não, não e não, não é a melhor opção para zumba. Meus paus para toda obra - Olympicos - pareciam mais confortaveis que os da nike. (talvez seja o formato do pé, não sei).

Mas dai, veja só a coisa, hoje, naquela confusão do dia a dia, esqueci minha mochila com meu tênis hiper caro dentro e fui pra aula com meu fila velho de guerra, do modelo baratinho, stripe feminino - na netshoes paguei menos de R$ 100,00 numa oferta de fim de ano, agora tah um pouquinho a cima - e adivinhem: MELHOR TÊNIS DA VIDA PARA ZUMBA.

Então essa é a minha opinião despretensiosa de quem não está ganhando um real para indicar um tênis, mas acha que precisa dessa utilidade pública para quem está buscando um tênis para zumba. Aposte no fila.VALE A PENA SIMMMM


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O Escritor Fantasma - Aline Andrade

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Viviane é uma escritora aclamada no mundo inteiro, no entanto, imagine tal qual não é seu desespero quando sua capacidade de criação desaparece e o que toma seu lugar é um pesadelo que se repete noite após noite. Um fantasma, um mistério e uma mulher que se descobre mais corajosa do que jamais imaginou ser um dia.



E O QUE A JOSY ACHOU?
Eu amei a narrativa de Aline Andrade. Uma autora até então desconhecida para mim, mas que já tem outra obra lançada na Amazon. 
De cara, toda a estrutura do texto é muito boa. Eu gosto muito dessa coisa misteriosa, do texto carregado. 
A protagonista foi para mim muito próxima, não apenas pela profissão que temos, mas também porque - já nas primeiras cenas - percebemos que ela sofre de terror noturno - doença que me obrigou a procurar ajuda há algum tempo.
Mas, definitivamente, eu consegui me ver nas descrições do escritor que vaga enquanto chora, fantasma perdido porque teve seus manuscritos roubados e nunca reconhecidos, porque de fato, acho que não existe nada que possa doer mais para um autor do que ver sua obra roubada - sequer a morte.
O conto é curto, dá para ler em poucos minutos, mas mesmo assim vale a pena.

sábado, 27 de outubro de 2018

ROMANCES FANTÁSTICOS - RESENHA

ROMANCES FANTÁSTICOS

Romance e fantasia. Quem não fica extasiado com esse tema?
Duas vertentes diferentes, mas que neste livro se unem de uma forma a apaixonar o leitor por ambos os temas.
Encantar o leitor foi o que moveu todos os autores. Cada um a sua maneira transferiu para as páginas desta antologia o que de mais belo e forte que tem dentro dos seus corações.
Há magia, folclore, esperança, guerra, luta... tudo que amamos nos livros.

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Nesse ano de 2018, minha sessão da Bienal de SP foi na Editora Hope, o que se tornou muito legal porque pude conhecer várias pessoas que só conhecia de nome, e adquirir alguns livros que me chamaram a atenção.

Enquanto aguardava meu horário, andando pelo stand, fui mexer em algumas obras que estavam sendo arrumadas (era o primeiro dia da Bienal), e eis que o Tom Adams grita num canto: Olha essa capa! Olha essa diagramação!

Na minha vida inteira, eu nunca comprei um livro pela capa. Romances Fantásticos foi a exceção. A capa era deslumbrante demais e, ao abrir, me deparei com uma diagramação tão bem trabalhada que não deu pra evitar a vontade de ter esse livro na minha estante.

Demorei a ler porque como qualquer autor nacional, eu tenho metas de texto a serem batidas. Dessa forma, desde a Bienal não parei de trabalhar em cima de livros. Mas, agora que encerrei o último do ano (lança terça, não percam!) pude pegar o livro que estava desde agosto em cima da minha mesinha de trabalho.

Gente... gente...

Primeiramente quero chover no molhado e dizer que Deniz Ibanez e Alessandra Morales sabem como escolher contos. Sabem como organizar uma antologia. O tempo todo eu fiquei esperando mais do mesmo, mas a cada narrativa era uma surpresa atrás da outra. Outra coisa que me surpreendeu foi a idade da maioria dos autores. Jovens mas com nítida bagagem literária. Fiquei muito feliz em perceber traços clássicos em alguns contos.

Começa por Henrique de Micco, que traz uma mensagem de sacrifício e amor tão intensa. O quão vale a pena você lutar por quem ama? 

Ariel Gomes, que escreveu o segundo, me deixou em estado de graça. Eu não tenho palavras, em nada esperava aquele desfecho. Sou escritora de Yaoi, tenho minhas raízes nesse ramo, mas não esperava um conto que conseguisse transbordar tanto sentimento. O final me fez chorar. E fazia muito tempo que eu não me emocionava com uma história.

Alex Oliveira trouxe uma visão sobre o luto em uma criança de 11 anos. Gostei da narrativa, achei muito bem construída, apesar de extremamente longa para uma antologia. Acho que com um pouco mais de esforço, cairia melhor como livro em separado. Mesmo assim, trouxe elementos novos e bem abrasileirados para a narrativa.

João Paulo Effting também tem uma história em que o elemento de lendas nacionais é forte. Mas, o pecado ocorre da mesma forma que o texto de Alex. É material para livro, não para conto. Muitas pontas que poderiam ser trabalhadas com calma e detalhes, foram jogadas de forma rápida para que o conto pudesse se finalizar logo. Eu realmente indico o autor a reescrevê-lo e transformá-lo num romance. Tem elementos para se tornar um livro de sucesso. 

O primeiro nome feminino a despontar no livro é Helena Girdard. Claro, imediatamente já me identifiquei. Literatura feminina tem dessas coisas, dessas sensibilidades que só mulher consegue transferir pra mulher. 

Essa mesma sensação tive com Raquel Bueno. Seu conto é de uma simplicidade extrema, mas consegue capturar a atenção por ser essencialmente feminino.

Alessandra Morales vem com uma história fantástica de uma princesa guerreira em um mundo dominado por seres como bruxas, magos e demônios. 

Renata Brito foge do estereotipo mundano e traz uma história cheia de magia e espiritualidade. Particularmente eu amo canela, e me envolvi muito com a forma natural de Julia, a protagonista, pensar.

Rita Flores é uma autora que admiro muito, e fiquei feliz em poder conhecer seu trabalho escrito. Eu nem preciso dizer que o conto dela foi, pra mim, o mais incrível de toda a antologia. É claro que é triste e chega a ser aterrorizante, mas acredito que a nuance humana na literatura não se permite apenas a beleza nas palavras. Se nós humanos somos falhos, tristes e depressivos – às vezes – por que não transportar isso para os textos? E, também, audaciosamente, foi uma maneira tocante de ver a morte. Eu fiquei apaixonada pelo seu texto e com certeza é uma autora que eu quero conhecer mais e mais.

Beatriz Cavalcante se mostra uma das promessas da nova literatura nacional. Tem uma estrutura de texto impecável e consegue transparecer os sentimentos dos personagens. Gostei muito do conto dela.

Deniz Ibanez provavelmente é o nome mais conhecido da antologia. E não falhou na sua missão em escolher os contos e também participar dela. E vamos admitir, a cena do protagonista conversando com os músicos é MEMORAVEL.

Margareth Brusarosco encerra a obra com uma narrativa de anjos movidos por ciúme, amor e paixão. 

Enfim, é um prato cheio de boa literatura. Recomendo demais.
Vocês podem encontrar o ebook na Amazon e o livro no site da Editora Hope. Vale o investimento.
 

 


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A questão, Maria, mãe de Jesus.

É, eu sei, o blog literário abandonado há meses e quando eu ressurjo é para falar de um assunto religioso. Mas, eu precisava realmente trazer esse assunto à tona, porque é algo que me anda “cutucando” a mente há dias.

Bom, eu sou teísta, acredito em Deus, apesar de não seguir nenhuma religião tradicional. Mas, nasci católica. Minha mãe era extremamente devota de Nossa Senhora de Fátima, e eu cresci sobre esse jugo da Mãe salvadora, Mãe amada, que sempre me protege.

Quando eu tinha cerca de vinte anos conheci o Evangelho pela Igreja Adventista do 7° Dia, e realmente foram anos de muita dedicação a leitura da Bíblia. Fui diretora de escola bíblica, aprendi e ensinei muito, foi maravilhoso. Por motivos de discordância de algumas doutrinas que não importa aqui, acabei saindo da Igreja, mas continuei Cristã, e nunca me envergonhei disso.

Contudo, foi nesse período que eu praticamente abandonei a memória da Maria Mãe, a intercessora.

Não vou entrar no mérito religioso porque todo esse texto não é doutrinário. Não tem nenhuma intenção de ofender ninguém. É apenas uma divagação de uma escritora que tem dias que anda se perguntando o que diabos está acontecendo com o mundo.

Bom, conforme os anos foram passado, fui percebendo que a imagem Mãe, que era tão sagrada nos anos anteriores aos 90, parece estar se decaindo. Chovem comentários, textos, etc, problematizando a maternidade, tentando remover dessa palavra a sua majestade.

Eu só liguei os pontos recentemente. Foi o próprio cristão evangélico que acabou tirando isso da mente das pessoas (calma, não é uma acusação, é apenas uma observação). 

Antes, Maria era como nossa mãe era sagrada. Transferíamos isso a nossa genitora. Você podia ser o pior bandido do mundo, mas a sua mãe você respeitava, porque era uma alusão da Virgem.

Conforme as religiões pentecostais foram crescendo e essa santidade de Maria decaindo, vimos também a própria maternidade como graça de Deus sendo posta à prova.

Começou com alguém chutando uma imagem de Maria, hoje vi uma adolescente mandando a mãe tomar no c*.

Como deixamos isso acontecer? Como deixamos de nos importar com a Mãe do Nosso Salvador? Como nós, como igreja – corpo de Cristo – não importando a denominação, deixamos de proclamar a escolhida de Deus?

Ser Mãe é tão sagrado que até Deus quis uma para Ele! E ele escolheu uma jovenzinha pura e doce lá do povo judeu. Uma menina pobre, que aceitou a enorme tarefa de educar, alimentar, amar e amparar o Nosso Deus. Ela esteve lá do primeiro segundo que ele esteve no mundo, até o momento de sua morte, e além.

Vamos repensar a importância que estamos dando a Maria em nossas vidas. Com a decaída dela em nossas famílias, as nossas mesmas famílias estão perdendo seus membros pro mundo, e para o pecado.

Você reparou que a cada dia nós mulheres estamos cada vez mais longe da doce Maria? Como nosso corpo passou a ser apenas uma coisa sem importância que expomos sem pudor?

O mal atacou Maria porque atacar a santidade da mãe era a maneira certa de destruir as famílias. E estamos tão ocupados brigando por regras e nomes de igrejas que não percebemos isso.

Talvez a resposta de tudo esteja lá na minha infância, ajoelhada, rezando para a mãezinha de Deus. 

Porque, afinal de contas, MÃE É SAGRADO SIM.
 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Resenha - A Escrava e a Fera

Olá amores,
Venho dessa vez com resenha

Lançamento da Portal Editora para o dia 01/03 - http://amzn.to/2ssEnQt , mas como autora da editora, tive o prazer de receber o livro antes.
Nem lançado foi e já recebeu acusações de racismo (quem acusou deve estar tomando cachaça no lugar de água pois além do revisor e de uma pequena parcela da editora, até então ninguém leu, né bofes? Para se acusar de alguma coisa, vamos ler antes e saber do que se trata? Obrigada, de nada.)
E o livro?
A história se passa em 1824 e começa com a agoniante vinda de Amali para o Brasil. Tirada de sua família, jogada num porão fedido de um navio mercantil, ela é trazida como escrava.
De cara, a narrativa deixa claro o quanto Amali é forte e busca pela sua liberdade. O quanto sua escravidão trouxe-lhe dor e agonia. Você sente isso com bastante força, numa narrativa pesada em terceira pessoa.

"– Quero voltar para minha terra. – Amali mostrou os dentes como um animal feroz.
– Não existe mais sua terra, garota. Apenas as terras do seu senhor.
– Eu não sirvo ao rei dessa terra."


Eu sinceramente senti todo o pulso feminino ali. É uma mulher linda, forte, aguerrida, nada submissa, passando por um dos piores momentos da humanidade. Em contrapartida, o senhor com o qual ela foi levada a servir também tem seus pesadelos, suas marcas.
Fernando e Amali fazem um contraponto. Ela está presa por correntes, ele pela própria consciência. Ambos são escravos, de diversas maneiras, mas com a mesma dor.
E ele me surpreende muito. Frio em alguns momentos, bons em outros. Mas, acima de qualquer coisa, um homem digno. A cena em que ele evita que ela seja abusada é de cortar o coração:

"– Bastardo maldito! Como ousa? – Fernando bufava e rosnava como um touro. Nunca antes ele se aproximara tanto de uma verdadeira fera como naquele instante.
– É só uma negra, patrão. Com sorte, vosmicê ganhava mais um escravo. – A fala debochada fez a ira nos olhos azuis do patrão brilhar ainda mais.
– Seu desgraçado! – Fernando partiu com tudo para cima do velho hipócrita, ainda caído no chão."


É um amor que nasce das cinzas do que sobrou dessas duas pobres almas. Francamente, você sofre por eles. Você sente a dor deles. Você tem pena. Você torce pela redenção.
Existe na narrativa de Jessica Macedo uma ideia que lembra muito os ideais da revolução francesa. Existe uma busca incessante por mais que liberdade. Os personagens querem mais que se livrarem das correntes fisicas ou mentais que os prendem.

É um livro sobre fraternidade. Sobre amor. É um livro que narra um dos momentos mais tristes da história do nosso país. Mas, não peca no principal. É uma obra sobre Esperança.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Lançamento NOVA VERSÃO A Insígnia de Claymor


Romance Completo na Amazon ♥ 

Nota da Autora
Nos últimos anos, passei a ter um vasto público que chegou até mim graças a Rosa entre Espinhos, Esmeralda e Kinshi na Karada. Então, muitos passaram a procurar minhas demais obras, querendo conhecer todos os meus livros e encontrando, assim, uma obra que fez um grande sucesso na Amazon (sendo top 10 mais vendidos até na Veja), mas que mantêm o terrível status de "livro 01", sem o encerramento.
Um dos grandes conflitos que tenho na carreira é A INSÍGNIA DE CLAYMOR. Um livro que termina aberto, esperando uma conclusão. Estava determinada a escrever o livro dois, quando ocorreu um acidente familiar, meu padrasto se tornou cadeirante e a minha vida virou do avesso.
O livro foi escrito em 2008. E, desde então, seus leitores aguardam com ansiedade a continuação. Pode parecer loucura, mas mesmo tantos anos, ainda recebo e-mails de pessoas me pedindo o livro 02.
O segundo livro se chamaria O FILHO DE CLAYMOR e, apesar de eu ter toda essa história na mente, infelizmente, nunca consegui colocá-la no papel. Provavelmente, por causa do trauma que ficou daqueles dias difíceis.
Depois de muito pestanejar, muito meditar, e conversar bastante com o Ícaro (que é meu capista), decidi que chegou a hora de encerrar esse ciclo de uma vez. Não existe como começar outro livro, mudar de ares, deixando, mais um ano, IDC sem uma conclusão.
Ao encerramento do meu contrato com a minha antiga editora, a qual tenho grande apreço pelos bons anos que estivemos juntos, pus-me ao trabalho.
Assim sendo, entrego a vocês UMA SEGUNDA VERSÃO, com nova capa, independente de editora,e com um final. Não, não o final que eu acreditei durante anos que escreveria, mas um final decente para leitores que sempre se mantiveram ao meu lado, e que mereciam ler o desfecho.
Não haverá mais livro dois. Aqui, encerro esse período. Jehanie, Daniel, Richard e Alexei, me perdoem por todos os anos em que fui relapsa com vocês. Chegou a hora de terem um final honroso.
Espero que gostem. E obrigada pela paciência e carinho.
Opiniões
"(...) Espere por personagens tão peculiares que você terá dificuldades em amá-los ou odiá-los, e aguardará ansiosamente pelos próximos acontecimentos."
Azarella - Leitora do site Nyah
"A história tem uma narrativa bem desenvolvida com um enredo contendo ações, emoções e certa tensão dramática que não passa despercebida pelo leitor. É um romance que em seu contexto aborda assuntos polêmicos, com personagens ousados, que justificam seus atos em nome do amor. Sem notar, o leitor fica irremediavelmente apaixonado pelo enredo e seus personagens. Amando certos personagens que o natural seria odiar, detestando os que na adequada maneira de se viver deveriam ser amados. Impossível ler a trama e não se emocionar com o desenrolar do romance."
Diorhe – Leitora.
"Foi formidável do começo ao fim. Desatou tudo de uma vez, de uma forma magistral.".
Amanda Catarina – Leitora
"Forte e intenso"
Regina Polli, leitora.
"Enredo polêmico e alguns personagens, mais ainda. Tudo mostrado de forma tão genial e fascinante que, mesmo quando tentamos odiar alguns deles, não conseguimos. Recomendo para todos os amantes de romances, enredos maduros e bem feitos. É uma história linda."
Lady Myh Lee – Leitora.
"Uma história emocionante e surpreendente, que quebra inúmeras barreiras morais e convencionais. Com personagens complexos e humanos. Leia e surpreenda-se!"
Luciane Rangel – escritora.






segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Resenha - Todas as Cores - Antologia de Contos Gays

Todas as Cores - Antologia de Contos Gays - Todas as Cores é uma antologia de contos gays, organizada por Icaro Trindade e com o apoio de diversos outros autores de livros LGBT's.
Com o objetivo de divulgar e promover a diversidade na literatura, reúne contos diversos, que irão proporcionar diferentes experiências ao leitor.
Romance, drama, erotismo, humor, fantasia e muito mais lhe aguardam a cada nova página. Aventure-se.

Contos da Antologia:
Cama de Gato, por Nina Gurgel.
Marine, Breno e Maycon, por Clayton Camargo.
Fantasias, por William Saints.
Caim, por Tom Adams.
O Primeiro Beijo, por Robson Gabriel.
Vestígio, por Yule Travalon.
Laços de Amor, por Marja.
Já te vi antes? - por Icaro Trindade.



E o que a Josy achou? 

Um dos livros mais esperados pela nação LGBT no Brasil chegou arrasando, né? De cara já pegou rankings na amazon, e está sendo elogiado pela crítica em geral.

Um adendo antes de opinar, a coletânea de contos não foi uma espécie de concurso com os melhores contos, e sim contos selecionados por autores convidados. Eu era um dos autores a entrar, mas um problema de saúde me impediu de escrever, o que dou graças, porque passaria vergonha, já que o que eu tinha em mente não chegaria nem aos pés dos contos apresentados.

Falar de todos os contos seria cansativo, então escolhi os três melhores. A opinião de cada um é mutável, então, não quer dizer que eles são DEFINITIVAMENTE os melhores, mas foram os melhores PARA MIM.
 
3º Já te vi antes? – por Icaro Trindade.

Ícaro mostrou uma veia cômica que eu não esperava. Eu gargalhei do inicio ao fim com esse conto. Um personagem excêntrico, egocêntrico, cheio de tipos e manias, que se vê desempregado, assaltado e traído pelo namorado com o melhor amigo, no mesmo dia, é forçado a ter que pegar uma carona com um desconhecido para ir até a casa da mãe.
Impressionante o desenvolvimento da ideia. Gostei demais, para mim, um conto que viraria livro fácil. As gírias, a linguagem atual, e os macetes que Icaro está pegando conforme sua carreira literária está progredindo, deram um show.

2° Cama de Gato, por Nina Gurgel.

A maior prova de que estou sendo sincera e imparcial nessa resenha é o fato de Nina não ter ficado em primeiro lugar. Adoro tudo que ela escreve, é minha melhor amiga há quase uma década, e sou louca pela forma como ela desenvolve os seus personagens. Amei Cama de Gato, amei os híbridos, amei o romance, aquela doçura de sentimentos que vai aflorando devagar, e dai, subitamente, sufoca... enfim... um texto super Nina Gurgel. 
Uma criação única, um cara que só pensa em trabalho é avassalado por um menino metade humano metade gato... É perfeito. Não fica em primeiro, porque o primeiro foi mais impactante, mas com certeza... é um texto pra guardar pra sempre.


1º Caim, por Tom Adams.

Quando eu conheci os textos do Tom, ele estava num nível bem fraco, e sem grandes desenvolvimentos. Era sempre um emaranhado de ideias desconexas atiradas no papel. Insisti para ele em duas coisas: a primeira é o foco. A segunda é escrever em terceira pessoa. Não deu outra, melhor conto da antologia, na minha humilde opinião. Até porque, não é simplesmente a ideia, é toda uma pesquisa bem feita em cima de mitologia cristã, analisando fatos bíblicos, atirando a imoralidade e até a hipocrisia da igreja sem medo de parecer polêmico e, por fim, o reencontro de duas almas gêmeas, que se amavam desde a criação dos tempos.

É o tipo de trabalho que não deixa duvidas do comprometimento do autor, do quanto ele se esforçou em dar o seu melhor. O resultado, um espetáculo. Fiquei surpresa no final ao saber que virá um livro. Merece. Espero poder ler essa obra, porque a intensidade do conto foi de tirar o fôlego.
 
bonus*
Yule Travalon foi a melhor das surpresas. Não conhecia a autora, fiquei espantada com a técnica, coisa de autor que domina o que faz. Em uma narrativa lírica e poética, ela desenvolve o fim e o reinicio de um amor. Deu lágrimas nos olhos. Maravilhoso.

Em suma, um ótimo livro, bem planejado e desenvolvido. Ponto para Ícaro Trindade, que desenvolveu muito bem o que se propôs.

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Resenha Palavras do Silêncio - Vanessa Tourinho



Quando a boca não fala, os gestos gritam em silêncio, confessando todas nossas verdades. Ao amor, um olhar é suficiente, para beber todos os sentimentos guardados no segredo de nosso coração, escondidos nas profundezas de nossas almas.







A Autora 
Paraense, aquariana, blogueira, filha caçula, sonhadora, rebelde (algumas vezes), apaixonada pela língua espanhola, cantora de chuveiro e bookaholic.
“Transmutados: O desconhecido” era para ser apenas um conto inspirado na reflexão dos poderes dos super-heróis, mas virou um livro recheado com poderes, sem nenhum super-herói.



Onde comprar - http://amzn.to/1Nwam23


O QUE A JOSY ACHOU:


Eu sempre curti muito a forma de se expressar da autora Vanessa. Eu já havia resenhado um livro dela [ Podem ler aqui ]e elogiei muito a maneira como ela conduz seus personagens.

Quando eu soube que ela seria uma das poucas autoras do meu rol de amigos literários a participar do concurso que a Amazon está promovendo com o Globo, corri para ler o conto, afinal de contas, gostaria de ver como ele era, e também saber que eu estaria torcendo para um dos contos que realmente terá chances...

E eu acho que terá.

Em 7 páginas, Vanessa conseguiu expressar e resumir bem o sentimento universal do amor. Foi engraçado, pois, mesmo sabendo que eram referentes a personagens LGBT, eu consegui visualizar qualquer um de nós ali, temeroso em entregar-se a algo que pode nos salvar e nos destruir, na mesma medida.

"Infelizmente a vida juntou duas peças que naturalmente não se encaixam"

O conto de sete páginas, narrado em primeira pessoa, retrata um homem confessando seu amor a outro. Contudo, na covardia natural da vida, ele recusa esse amor e tenta seguir adiante. 

É algo cheio de sentimento e de uma narração clara, objetiva e cheia de simbolismos.

Enfim, fica aqui a minha torcida por esse conto.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Jiyuu na Karada - Capa e nota da autora


Título: Jiyuu na Karada
Subtítulo: O Corpo Liberto

Sinopse:
Japão, 1950.
O amor se apaga com o tempo?
Ele era um guerreiro.
O jovem homem Shiromiya Kazue jamais lutou com armas, mas saiu da guerra que destruiu seu país fortalecido pela dor. Corajoso, ele reconstruiu sua vida, formou uma família, e conquistou o respeito e a confiança de todos da pequena cidade que vivia. Contudo, ainda sofria pelo passado, ainda amava a quem devia odiar...
 Ele era um derrotado.
O comerciante Ryo Satoshi conquistou o respeito dos aliados ao final da II Guerra Mundial. Sagaz, tornou-se um popular membro do comércio internacional, expandindo sua fortuna e seu poder. Porém, vítima dos próprios erros do passado, ele caminhava pelo seu presente sem sentir o sabor da vida. Podia ter tudo que desejava, porém, a única coisa que realmente queria estava fora de seu alcance...

Em 1950, o Japão estará reconstruindo mais do que suas estruturas. Um país retornando do caos, progredindo em direção ao futuro. E nesse cenário, os protagonistas de Kinshi na Karada se reencontram. O que restou de seus intensos sentimentos?
 


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É quase cômico que, antes de iniciar as primeiras linhas de Kinshi na Karada, ainda durante o estudo e pesquisa da obra, eu pensei: “terei que me destruir para criar o que quero”. Claro, eu pensava no status psicológico, no sentimento de apreensão e medo que desenvolvi enquanto caía no buraco profundo da lama moral de meus personagens.

Enquanto ia escrevendo, fui desenvolvendo pequenos dramas, como aversão ao som noturno de carros – por algum motivo eu pensava na Kempeitai rondando as ruas – e a mania de olhar para o alto e sempre esperar que alguma bomba estourasse.

Contudo, eu jamais imaginei que tivesse que destruir também a minha saúde física. Terminei Jiyuu na Karada dormindo a base de tramal e clonazepan. 

Não foi uma escolha, isso aconteceu devido ao prorrogamento de uma obra que devia ser única. Talvez, por isso, personagens citados em Kinshi, como Miya e Oguri, só foram desenvolvidos em Jiyuu. 

Foi uma falha. Não vou dizer que me culpo, afinal de contas, eu realmente não me imagino cortando nenhuma palavra de Kinshi na Karada. Acho-a uma obra exata, que diz exatamente o que veio a dizer. Porém, era para ter desenvolvido toda a trajetória de Shiro em suas páginas, e isso não se deu devido ao alongamento dos dramas e a forma narrativa da autora – sim, sorry! – que não conseguiu narrar nada sem dar todos os detalhes.

Assim, quando finalizei Kinshi na Karada, já comecei imediatamente Jiyuu. Então, num primeiro momento, é fato que o leitor acaba sentindo a mesma carga de Kinshi, mas isso logo se dissipa.

Jiyuu não conta a mesma história. Os personagens amadureceram, cresceram, não são mais tão tolos ou ingênuos como antes. Kinshi falava da apreensão da guerra, Jiyuu dos traumas que ficaram.

Porém, Aiko, Shin e Jiro continuam no mesmo dilema. Com seus sentimentos embaralhados, sem saber exatamente que rumo devem tomar, e agora existem ainda mais marcas em cada um deles. 

Por outro lado, Shiro é pai. Um homem trabalhador, que luta dia a dia para cuidar da filha. E também luta para esquecer a pessoa que mais amou e que mais lhe magoou. 

Em contraste, Ryo recebeu, durante toda a sua vida, visões que lhe indicavam Shiro. Agora, sem seu dom, ele é como um cego em busca de alguém que se perdeu durante a guerra.

Jiyuu na Karada fala da vida pós guerra, de perdão e de valores morais, príncipios que não se abandona. 

Alguns destaques são importantes: A unidade 731 continua sendo citada, mas, é encoberta durante o transcorrer do texto. Isso é devido a verdade só ter vindo a tona na década de oitenta. 

Os fatos históricos continuam em destaque. Mais uma vez, assim como em Kinshi, tentei ser leal ao momento. Não foi uma busca fácil, não é fácil estudar o Japão de 1950, mas se tiver qualquer erro, foi apenas falha humana. 

Meus agradecimentos especiais:
A Daniela que fez a capa, um trabalho primoroso. É impressionante como ela consegue captar a obra e tudo que nela se foca.  
A Fabiana que fez a revisão, mesmo cansada e cheia de afazeres. Sua ajuda foi primordial.
A Cassia que fez o prefácio. Vão adorar^^ Logo logo publico para vocês lerem ♥
A Dani que betou e deu dicas sobre a cultura nipo. 
A todas as minhas meninas do OL - Kah, Nina, Kamy, Kenia, Jana, Yume, Mel, Cristal, Gi... enfim, todas, são muitas rsrsrs - que leram, comentaram, criticaram, e me ajudaram a desenvolver a obra.
Ao Mac, do Entre Homens, pelas horas de conversa franca e de leitura crítica.
A todos os leitores da minha Page, pelo apoio incondicional, pelas palavras de incentivo quando eu quase desisti, enfim... por tudo.

Enfim, agora é apreciar o trabalho feito. Em julho, será o lançamento pela Amazon e Clube de Autores.

Antes, quem puder e quiser, pode adicionar no Skoob -
http://www.skoob.com.br/livro/512953ED519438


Muitos abraços
Josiane Veiga
Jun/2015