segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A questão, Maria, mãe de Jesus.

É, eu sei, o blog literário abandonado há meses e quando eu ressurjo é para falar de um assunto religioso. Mas, eu precisava realmente trazer esse assunto à tona, porque é algo que me anda “cutucando” a mente há dias.

Bom, eu sou teísta, acredito em Deus, apesar de não seguir nenhuma religião tradicional. Mas, nasci católica. Minha mãe era extremamente devota de Nossa Senhora de Fátima, e eu cresci sobre esse jugo da Mãe salvadora, Mãe amada, que sempre me protege.

Quando eu tinha cerca de vinte anos conheci o Evangelho pela Igreja Adventista do 7° Dia, e realmente foram anos de muita dedicação a leitura da Bíblia. Fui diretora de escola bíblica, aprendi e ensinei muito, foi maravilhoso. Por motivos de discordância de algumas doutrinas que não importa aqui, acabei saindo da Igreja, mas continuei Cristã, e nunca me envergonhei disso.

Contudo, foi nesse período que eu praticamente abandonei a memória da Maria Mãe, a intercessora.

Não vou entrar no mérito religioso porque todo esse texto não é doutrinário. Não tem nenhuma intenção de ofender ninguém. É apenas uma divagação de uma escritora que tem dias que anda se perguntando o que diabos está acontecendo com o mundo.

Bom, conforme os anos foram passado, fui percebendo que a imagem Mãe, que era tão sagrada nos anos anteriores aos 90, parece estar se decaindo. Chovem comentários, textos, etc, problematizando a maternidade, tentando remover dessa palavra a sua majestade.

Eu só liguei os pontos recentemente. Foi o próprio cristão evangélico que acabou tirando isso da mente das pessoas (calma, não é uma acusação, é apenas uma observação). 

Antes, Maria era como nossa mãe era sagrada. Transferíamos isso a nossa genitora. Você podia ser o pior bandido do mundo, mas a sua mãe você respeitava, porque era uma alusão da Virgem.

Conforme as religiões pentecostais foram crescendo e essa santidade de Maria decaindo, vimos também a própria maternidade como graça de Deus sendo posta à prova.

Começou com alguém chutando uma imagem de Maria, hoje vi uma adolescente mandando a mãe tomar no c*.

Como deixamos isso acontecer? Como deixamos de nos importar com a Mãe do Nosso Salvador? Como nós, como igreja – corpo de Cristo – não importando a denominação, deixamos de proclamar a escolhida de Deus?

Ser Mãe é tão sagrado que até Deus quis uma para Ele! E ele escolheu uma jovenzinha pura e doce lá do povo judeu. Uma menina pobre, que aceitou a enorme tarefa de educar, alimentar, amar e amparar o Nosso Deus. Ela esteve lá do primeiro segundo que ele esteve no mundo, até o momento de sua morte, e além.

Vamos repensar a importância que estamos dando a Maria em nossas vidas. Com a decaída dela em nossas famílias, as nossas mesmas famílias estão perdendo seus membros pro mundo, e para o pecado.

Você reparou que a cada dia nós mulheres estamos cada vez mais longe da doce Maria? Como nosso corpo passou a ser apenas uma coisa sem importância que expomos sem pudor?

O mal atacou Maria porque atacar a santidade da mãe era a maneira certa de destruir as famílias. E estamos tão ocupados brigando por regras e nomes de igrejas que não percebemos isso.

Talvez a resposta de tudo esteja lá na minha infância, ajoelhada, rezando para a mãezinha de Deus. 

Porque, afinal de contas, MÃE É SAGRADO SIM.
 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Resenha - A Escrava e a Fera

Olá amores,
Venho dessa vez com resenha

Lançamento da Portal Editora para o dia 01/03 - http://amzn.to/2ssEnQt , mas como autora da editora, tive o prazer de receber o livro antes.
Nem lançado foi e já recebeu acusações de racismo (quem acusou deve estar tomando cachaça no lugar de água pois além do revisor e de uma pequena parcela da editora, até então ninguém leu, né bofes? Para se acusar de alguma coisa, vamos ler antes e saber do que se trata? Obrigada, de nada.)
E o livro?
A história se passa em 1824 e começa com a agoniante vinda de Amali para o Brasil. Tirada de sua família, jogada num porão fedido de um navio mercantil, ela é trazida como escrava.
De cara, a narrativa deixa claro o quanto Amali é forte e busca pela sua liberdade. O quanto sua escravidão trouxe-lhe dor e agonia. Você sente isso com bastante força, numa narrativa pesada em terceira pessoa.

"– Quero voltar para minha terra. – Amali mostrou os dentes como um animal feroz.
– Não existe mais sua terra, garota. Apenas as terras do seu senhor.
– Eu não sirvo ao rei dessa terra."


Eu sinceramente senti todo o pulso feminino ali. É uma mulher linda, forte, aguerrida, nada submissa, passando por um dos piores momentos da humanidade. Em contrapartida, o senhor com o qual ela foi levada a servir também tem seus pesadelos, suas marcas.
Fernando e Amali fazem um contraponto. Ela está presa por correntes, ele pela própria consciência. Ambos são escravos, de diversas maneiras, mas com a mesma dor.
E ele me surpreende muito. Frio em alguns momentos, bons em outros. Mas, acima de qualquer coisa, um homem digno. A cena em que ele evita que ela seja abusada é de cortar o coração:

"– Bastardo maldito! Como ousa? – Fernando bufava e rosnava como um touro. Nunca antes ele se aproximara tanto de uma verdadeira fera como naquele instante.
– É só uma negra, patrão. Com sorte, vosmicê ganhava mais um escravo. – A fala debochada fez a ira nos olhos azuis do patrão brilhar ainda mais.
– Seu desgraçado! – Fernando partiu com tudo para cima do velho hipócrita, ainda caído no chão."


É um amor que nasce das cinzas do que sobrou dessas duas pobres almas. Francamente, você sofre por eles. Você sente a dor deles. Você tem pena. Você torce pela redenção.
Existe na narrativa de Jessica Macedo uma ideia que lembra muito os ideais da revolução francesa. Existe uma busca incessante por mais que liberdade. Os personagens querem mais que se livrarem das correntes fisicas ou mentais que os prendem.

É um livro sobre fraternidade. Sobre amor. É um livro que narra um dos momentos mais tristes da história do nosso país. Mas, não peca no principal. É uma obra sobre Esperança.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Lançamento NOVA VERSÃO A Insígnia de Claymor


Romance Completo na Amazon ♥ 

Nota da Autora
Nos últimos anos, passei a ter um vasto público que chegou até mim graças a Rosa entre Espinhos, Esmeralda e Kinshi na Karada. Então, muitos passaram a procurar minhas demais obras, querendo conhecer todos os meus livros e encontrando, assim, uma obra que fez um grande sucesso na Amazon (sendo top 10 mais vendidos até na Veja), mas que mantêm o terrível status de "livro 01", sem o encerramento.
Um dos grandes conflitos que tenho na carreira é A INSÍGNIA DE CLAYMOR. Um livro que termina aberto, esperando uma conclusão. Estava determinada a escrever o livro dois, quando ocorreu um acidente familiar, meu padrasto se tornou cadeirante e a minha vida virou do avesso.
O livro foi escrito em 2008. E, desde então, seus leitores aguardam com ansiedade a continuação. Pode parecer loucura, mas mesmo tantos anos, ainda recebo e-mails de pessoas me pedindo o livro 02.
O segundo livro se chamaria O FILHO DE CLAYMOR e, apesar de eu ter toda essa história na mente, infelizmente, nunca consegui colocá-la no papel. Provavelmente, por causa do trauma que ficou daqueles dias difíceis.
Depois de muito pestanejar, muito meditar, e conversar bastante com o Ícaro (que é meu capista), decidi que chegou a hora de encerrar esse ciclo de uma vez. Não existe como começar outro livro, mudar de ares, deixando, mais um ano, IDC sem uma conclusão.
Ao encerramento do meu contrato com a minha antiga editora, a qual tenho grande apreço pelos bons anos que estivemos juntos, pus-me ao trabalho.
Assim sendo, entrego a vocês UMA SEGUNDA VERSÃO, com nova capa, independente de editora,e com um final. Não, não o final que eu acreditei durante anos que escreveria, mas um final decente para leitores que sempre se mantiveram ao meu lado, e que mereciam ler o desfecho.
Não haverá mais livro dois. Aqui, encerro esse período. Jehanie, Daniel, Richard e Alexei, me perdoem por todos os anos em que fui relapsa com vocês. Chegou a hora de terem um final honroso.
Espero que gostem. E obrigada pela paciência e carinho.
Opiniões
"(...) Espere por personagens tão peculiares que você terá dificuldades em amá-los ou odiá-los, e aguardará ansiosamente pelos próximos acontecimentos."
Azarella - Leitora do site Nyah
"A história tem uma narrativa bem desenvolvida com um enredo contendo ações, emoções e certa tensão dramática que não passa despercebida pelo leitor. É um romance que em seu contexto aborda assuntos polêmicos, com personagens ousados, que justificam seus atos em nome do amor. Sem notar, o leitor fica irremediavelmente apaixonado pelo enredo e seus personagens. Amando certos personagens que o natural seria odiar, detestando os que na adequada maneira de se viver deveriam ser amados. Impossível ler a trama e não se emocionar com o desenrolar do romance."
Diorhe – Leitora.
"Foi formidável do começo ao fim. Desatou tudo de uma vez, de uma forma magistral.".
Amanda Catarina – Leitora
"Forte e intenso"
Regina Polli, leitora.
"Enredo polêmico e alguns personagens, mais ainda. Tudo mostrado de forma tão genial e fascinante que, mesmo quando tentamos odiar alguns deles, não conseguimos. Recomendo para todos os amantes de romances, enredos maduros e bem feitos. É uma história linda."
Lady Myh Lee – Leitora.
"Uma história emocionante e surpreendente, que quebra inúmeras barreiras morais e convencionais. Com personagens complexos e humanos. Leia e surpreenda-se!"
Luciane Rangel – escritora.






segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Resenha - Todas as Cores - Antologia de Contos Gays

Todas as Cores - Antologia de Contos Gays - Todas as Cores é uma antologia de contos gays, organizada por Icaro Trindade e com o apoio de diversos outros autores de livros LGBT's.
Com o objetivo de divulgar e promover a diversidade na literatura, reúne contos diversos, que irão proporcionar diferentes experiências ao leitor.
Romance, drama, erotismo, humor, fantasia e muito mais lhe aguardam a cada nova página. Aventure-se.

Contos da Antologia:
Cama de Gato, por Nina Gurgel.
Marine, Breno e Maycon, por Clayton Camargo.
Fantasias, por William Saints.
Caim, por Tom Adams.
O Primeiro Beijo, por Robson Gabriel.
Vestígio, por Yule Travalon.
Laços de Amor, por Marja.
Já te vi antes? - por Icaro Trindade.



E o que a Josy achou? 

Um dos livros mais esperados pela nação LGBT no Brasil chegou arrasando, né? De cara já pegou rankings na amazon, e está sendo elogiado pela crítica em geral.

Um adendo antes de opinar, a coletânea de contos não foi uma espécie de concurso com os melhores contos, e sim contos selecionados por autores convidados. Eu era um dos autores a entrar, mas um problema de saúde me impediu de escrever, o que dou graças, porque passaria vergonha, já que o que eu tinha em mente não chegaria nem aos pés dos contos apresentados.

Falar de todos os contos seria cansativo, então escolhi os três melhores. A opinião de cada um é mutável, então, não quer dizer que eles são DEFINITIVAMENTE os melhores, mas foram os melhores PARA MIM.
 
3º Já te vi antes? – por Icaro Trindade.

Ícaro mostrou uma veia cômica que eu não esperava. Eu gargalhei do inicio ao fim com esse conto. Um personagem excêntrico, egocêntrico, cheio de tipos e manias, que se vê desempregado, assaltado e traído pelo namorado com o melhor amigo, no mesmo dia, é forçado a ter que pegar uma carona com um desconhecido para ir até a casa da mãe.
Impressionante o desenvolvimento da ideia. Gostei demais, para mim, um conto que viraria livro fácil. As gírias, a linguagem atual, e os macetes que Icaro está pegando conforme sua carreira literária está progredindo, deram um show.

2° Cama de Gato, por Nina Gurgel.

A maior prova de que estou sendo sincera e imparcial nessa resenha é o fato de Nina não ter ficado em primeiro lugar. Adoro tudo que ela escreve, é minha melhor amiga há quase uma década, e sou louca pela forma como ela desenvolve os seus personagens. Amei Cama de Gato, amei os híbridos, amei o romance, aquela doçura de sentimentos que vai aflorando devagar, e dai, subitamente, sufoca... enfim... um texto super Nina Gurgel. 
Uma criação única, um cara que só pensa em trabalho é avassalado por um menino metade humano metade gato... É perfeito. Não fica em primeiro, porque o primeiro foi mais impactante, mas com certeza... é um texto pra guardar pra sempre.


1º Caim, por Tom Adams.

Quando eu conheci os textos do Tom, ele estava num nível bem fraco, e sem grandes desenvolvimentos. Era sempre um emaranhado de ideias desconexas atiradas no papel. Insisti para ele em duas coisas: a primeira é o foco. A segunda é escrever em terceira pessoa. Não deu outra, melhor conto da antologia, na minha humilde opinião. Até porque, não é simplesmente a ideia, é toda uma pesquisa bem feita em cima de mitologia cristã, analisando fatos bíblicos, atirando a imoralidade e até a hipocrisia da igreja sem medo de parecer polêmico e, por fim, o reencontro de duas almas gêmeas, que se amavam desde a criação dos tempos.

É o tipo de trabalho que não deixa duvidas do comprometimento do autor, do quanto ele se esforçou em dar o seu melhor. O resultado, um espetáculo. Fiquei surpresa no final ao saber que virá um livro. Merece. Espero poder ler essa obra, porque a intensidade do conto foi de tirar o fôlego.
 
bonus*
Yule Travalon foi a melhor das surpresas. Não conhecia a autora, fiquei espantada com a técnica, coisa de autor que domina o que faz. Em uma narrativa lírica e poética, ela desenvolve o fim e o reinicio de um amor. Deu lágrimas nos olhos. Maravilhoso.

Em suma, um ótimo livro, bem planejado e desenvolvido. Ponto para Ícaro Trindade, que desenvolveu muito bem o que se propôs.

Comprar

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Resenha Palavras do Silêncio - Vanessa Tourinho



Quando a boca não fala, os gestos gritam em silêncio, confessando todas nossas verdades. Ao amor, um olhar é suficiente, para beber todos os sentimentos guardados no segredo de nosso coração, escondidos nas profundezas de nossas almas.







A Autora 
Paraense, aquariana, blogueira, filha caçula, sonhadora, rebelde (algumas vezes), apaixonada pela língua espanhola, cantora de chuveiro e bookaholic.
“Transmutados: O desconhecido” era para ser apenas um conto inspirado na reflexão dos poderes dos super-heróis, mas virou um livro recheado com poderes, sem nenhum super-herói.



Onde comprar - http://amzn.to/1Nwam23


O QUE A JOSY ACHOU:


Eu sempre curti muito a forma de se expressar da autora Vanessa. Eu já havia resenhado um livro dela [ Podem ler aqui ]e elogiei muito a maneira como ela conduz seus personagens.

Quando eu soube que ela seria uma das poucas autoras do meu rol de amigos literários a participar do concurso que a Amazon está promovendo com o Globo, corri para ler o conto, afinal de contas, gostaria de ver como ele era, e também saber que eu estaria torcendo para um dos contos que realmente terá chances...

E eu acho que terá.

Em 7 páginas, Vanessa conseguiu expressar e resumir bem o sentimento universal do amor. Foi engraçado, pois, mesmo sabendo que eram referentes a personagens LGBT, eu consegui visualizar qualquer um de nós ali, temeroso em entregar-se a algo que pode nos salvar e nos destruir, na mesma medida.

"Infelizmente a vida juntou duas peças que naturalmente não se encaixam"

O conto de sete páginas, narrado em primeira pessoa, retrata um homem confessando seu amor a outro. Contudo, na covardia natural da vida, ele recusa esse amor e tenta seguir adiante. 

É algo cheio de sentimento e de uma narração clara, objetiva e cheia de simbolismos.

Enfim, fica aqui a minha torcida por esse conto.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Jiyuu na Karada - Capa e nota da autora


Título: Jiyuu na Karada
Subtítulo: O Corpo Liberto

Sinopse:
Japão, 1950.
O amor se apaga com o tempo?
Ele era um guerreiro.
O jovem homem Shiromiya Kazue jamais lutou com armas, mas saiu da guerra que destruiu seu país fortalecido pela dor. Corajoso, ele reconstruiu sua vida, formou uma família, e conquistou o respeito e a confiança de todos da pequena cidade que vivia. Contudo, ainda sofria pelo passado, ainda amava a quem devia odiar...
 Ele era um derrotado.
O comerciante Ryo Satoshi conquistou o respeito dos aliados ao final da II Guerra Mundial. Sagaz, tornou-se um popular membro do comércio internacional, expandindo sua fortuna e seu poder. Porém, vítima dos próprios erros do passado, ele caminhava pelo seu presente sem sentir o sabor da vida. Podia ter tudo que desejava, porém, a única coisa que realmente queria estava fora de seu alcance...

Em 1950, o Japão estará reconstruindo mais do que suas estruturas. Um país retornando do caos, progredindo em direção ao futuro. E nesse cenário, os protagonistas de Kinshi na Karada se reencontram. O que restou de seus intensos sentimentos?
 


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É quase cômico que, antes de iniciar as primeiras linhas de Kinshi na Karada, ainda durante o estudo e pesquisa da obra, eu pensei: “terei que me destruir para criar o que quero”. Claro, eu pensava no status psicológico, no sentimento de apreensão e medo que desenvolvi enquanto caía no buraco profundo da lama moral de meus personagens.

Enquanto ia escrevendo, fui desenvolvendo pequenos dramas, como aversão ao som noturno de carros – por algum motivo eu pensava na Kempeitai rondando as ruas – e a mania de olhar para o alto e sempre esperar que alguma bomba estourasse.

Contudo, eu jamais imaginei que tivesse que destruir também a minha saúde física. Terminei Jiyuu na Karada dormindo a base de tramal e clonazepan. 

Não foi uma escolha, isso aconteceu devido ao prorrogamento de uma obra que devia ser única. Talvez, por isso, personagens citados em Kinshi, como Miya e Oguri, só foram desenvolvidos em Jiyuu. 

Foi uma falha. Não vou dizer que me culpo, afinal de contas, eu realmente não me imagino cortando nenhuma palavra de Kinshi na Karada. Acho-a uma obra exata, que diz exatamente o que veio a dizer. Porém, era para ter desenvolvido toda a trajetória de Shiro em suas páginas, e isso não se deu devido ao alongamento dos dramas e a forma narrativa da autora – sim, sorry! – que não conseguiu narrar nada sem dar todos os detalhes.

Assim, quando finalizei Kinshi na Karada, já comecei imediatamente Jiyuu. Então, num primeiro momento, é fato que o leitor acaba sentindo a mesma carga de Kinshi, mas isso logo se dissipa.

Jiyuu não conta a mesma história. Os personagens amadureceram, cresceram, não são mais tão tolos ou ingênuos como antes. Kinshi falava da apreensão da guerra, Jiyuu dos traumas que ficaram.

Porém, Aiko, Shin e Jiro continuam no mesmo dilema. Com seus sentimentos embaralhados, sem saber exatamente que rumo devem tomar, e agora existem ainda mais marcas em cada um deles. 

Por outro lado, Shiro é pai. Um homem trabalhador, que luta dia a dia para cuidar da filha. E também luta para esquecer a pessoa que mais amou e que mais lhe magoou. 

Em contraste, Ryo recebeu, durante toda a sua vida, visões que lhe indicavam Shiro. Agora, sem seu dom, ele é como um cego em busca de alguém que se perdeu durante a guerra.

Jiyuu na Karada fala da vida pós guerra, de perdão e de valores morais, príncipios que não se abandona. 

Alguns destaques são importantes: A unidade 731 continua sendo citada, mas, é encoberta durante o transcorrer do texto. Isso é devido a verdade só ter vindo a tona na década de oitenta. 

Os fatos históricos continuam em destaque. Mais uma vez, assim como em Kinshi, tentei ser leal ao momento. Não foi uma busca fácil, não é fácil estudar o Japão de 1950, mas se tiver qualquer erro, foi apenas falha humana. 

Meus agradecimentos especiais:
A Daniela que fez a capa, um trabalho primoroso. É impressionante como ela consegue captar a obra e tudo que nela se foca.  
A Fabiana que fez a revisão, mesmo cansada e cheia de afazeres. Sua ajuda foi primordial.
A Cassia que fez o prefácio. Vão adorar^^ Logo logo publico para vocês lerem ♥
A Dani que betou e deu dicas sobre a cultura nipo. 
A todas as minhas meninas do OL - Kah, Nina, Kamy, Kenia, Jana, Yume, Mel, Cristal, Gi... enfim, todas, são muitas rsrsrs - que leram, comentaram, criticaram, e me ajudaram a desenvolver a obra.
Ao Mac, do Entre Homens, pelas horas de conversa franca e de leitura crítica.
A todos os leitores da minha Page, pelo apoio incondicional, pelas palavras de incentivo quando eu quase desisti, enfim... por tudo.

Enfim, agora é apreciar o trabalho feito. Em julho, será o lançamento pela Amazon e Clube de Autores.

Antes, quem puder e quiser, pode adicionar no Skoob -
http://www.skoob.com.br/livro/512953ED519438


Muitos abraços
Josiane Veiga
Jun/2015


sábado, 27 de junho de 2015

Resenha - Garoto à Venda - Icaro Trindade

Em um planeta fictício semelhante a Terra, no país de Alendor, as pessoas são divididas por castas e vigoram leis rígidas contra a criminalidade.
Ianto pertence a uma das mais baixas dessas castas, e em um momento de desespero tenta roubar comida para ajudar sua família, mas é apreendido pela policia especial.
Quando acreditava que a pena de morte seria seu único destino, ele é surpreendido ao ser levado até um lugar luxuoso, onde é leiloado para alguns dos homens mais ricos e poderosos do país, num comércio ilegal de escravos sexuais.
Após ser comprado pelo magnata Eric Pitz, sua relação com o novo dono toma rumos inesperados e terá que aprender a lidar com novos sentimentos que irão surgir em si.
Afinal, o dinheiro é capaz de comprar amor?
Descubra nesse livro excitante e surpreendente!
Inspirado em Okane ga Nai e A Seleção, Garoto à Venda é um livro cheio de sexo, paixão, drama, surpresas e reviravoltas. 



O Autor

 Gaúcho de Passo Fundo, Icaro Trindade tem 19 anos e é estudante de Direito.
Ariano, nascido em 6 de abril, escreve desde seus 13 anos, mas foi em 2014 em que  começou a levar mais sério seus escritos. Fã incondicional de séries, quadrinhos, animes, livros e RuPaul's Drag Race, escreveu dois livros até o momento:
1º Lua Escarlate, lançado pela Editora Maresia.
2º Garoto à Venda, de forma independente na Amazon e Clube de Autores.



E O QUE A JOSY ACHOU:


 
Ícaro para mim é uma das melhores novidades literárias dos últimos anos. Com um livro na amazon, conquistou feitos históricos na categoria lgbt, está mantendo vendas altas e elogios de diversos canais.  Fez mais pelo gênero que muitos autores lendários, e isso é positivo para todos que dele vivem. 

Contudo, nem sempre vendas significa qualidade e, então, eu sei, muita gente olha para o livro, a sinopse e o rosto de menino do autor e pensa que é apenas mais um fruto da pura imaturidade e literatura rasa, comum nos dias de hoje.

Porém, eu quero decepcionar quem aqui está em busca de críticas pesadas. Ícaro me surpreendeu, e, de todas as formas, foi positivo.

Vou começar pelo início. Eu não lembro quando ele surgiu na minha vida, apesar de ser recente. Tive um problema com a saga Jishu, estava literalmente sem saída, e daí ele surgiu, se oferecendo para me ajudar.

Ali começou uma amizade da qual muito me orgulho. Aquele menino gaúcho – como eu ♥ Viva os pampas, tchê! – me falou que escrevia para o wattpad, e que lá fazia muito sucesso. Também que iria lançar uma obra por uma editora independente. Por ser um tipo de literatura que eu não sou próxima (lobisomens gays), eu fiquei muito interessada no seu livro Lua Escarlate, mas como ele queria lançar algo na Amazon, o ajudei no lançamento de Garoto a Venda, que, à primeira vista, parecia um livro simples, sem profundidade.

Conforme vinham chegando as resenhas, percebi que Ícaro estava agradando. A curiosidade – que antes em mim não existia – passou a despontar. O que era aquele livro que só recebia notas altas na Amazon? Vi leitores meus dos mais críticos dizendo coisas como: “Tem muito futuro”, etc... e então, decidi ler.

Eu já disse que Ícaro me surpreendeu? 

Acho que já. Mas, vou repetir. Ele me surpreendeu verdadeiramente. Não só na escrita clara e bem desenvolvida, mas também no cuidado da construção dos personagens. 

A história gira em torno de Ianto, um jovem morador de um país chamado Alendor, de família humilde que passa por um momento difícil. A família, muito pobre, não consegue custear o tratamento de saúde de sua mãe, que está doente e, num ato de desespero, Ianto resolve roubar.

Nada muito grave, não fosse o fato de que as leis de Alendor punem todos os crimes com o mesmo castigo: a morte.

Capturado pela policia, é “desviado” da morte para uma rede de tráfico de pessoas, onde é vendido a um alto preço para Eric, um homem grande, forte e de uma personalidade controladora e avassaladora.

Toda a intenção do livro é dar um ênfase a síndrome de Estocolmo, onde a vítima se apega ao seu captor, mas Ícaro fez mais que isso, ele desenvolveu um protagonista fragilizado e inconsequente, um adolescente cheio de erros, incapaz de compreender tudo que se passa consigo.

Eric mantêm Ianto preso em um quarto durante todo o dia. Com ele, deixa apenas livros gays e um colchão. Como um cachorro, o rapaz acaba por achar normal aquilo, e aceita, tanto é que aguarda com ansiedade a chegada de seu senhor.

Ianto é tão ingênuo que, após adquirir um pouco a confiança de Eric, acaba saindo um tanto do casulo e conhece um amigo de Eric, Paulo, e acredita em suas palavras, sem nenhuma base para tal.

Em diversos momentos Ianto escuta que é amado. Tanto pelo outro protagonista – ou seria antagonista? – quanto por personagens secundários. Amor, sentimento esse que se constrói e não surge do nada, acaba sendo a desculpa perfeita para os seus erros.

Ianto é um adolescente. Sem tirar nem por. Quem, com 17 anos, não acreditava que amava desesperadamente alguém a ponto de confiar cegamente naquela pessoa? Boa parte de nós, com certeza. 

Mas, na trajetória do rapaz, ele vai crescendo, aprendendo com seus erros, e por fim, tem o final que qualquer pessoa racional espera.

Os pontos negativos do livro são, além de pequenos erros de concordância, o fato de que o autor cria um universo – Alendor – mas não o desenvolve. Na verdade, Alendor é o nosso planeta, apenas com leis mais severas. De mais, nada é diferente. Possui aviões, empresas, praias, hotéis, etc. Porém, por não ser o foco da obra, não é algo que eu usaria para desmerecer o livro, até porque, boa parte dele ocorre dentro do apartamento de Eric.

Os pontos positivos: Além da desenvoltura atraente de leitura rápida, eu gostei muito das cenas sexuais. Sim, eu sei, muita gente torce o nariz. Mas, são cenas rudes, sem muita firula e enfeite, e, mesmo assim, são cenas simplesmente viciantes. Não dava para parar de ler. Num mundo onde autores só faltam fazer sexo ter cheiro de rosas, acho que muitos deles deviam ler Ícaro para ter uma noção do que é sexo de verdade!

Enfim, nota máxima. Que livro gostoso de ler!
Indico demais!!!!