segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Resenha: Criança 44



Como todos já sabem, ando numa fase meio de saco cheio da literatura nacional. Já havia comentado no face que havia gasto um bom dinheirinho em livros nacionais que foram indicados em vários blogs de literatura, e acabei praticamente jogando o $$ no lixo. Tirando os autores de sempre, Luciane Rangel, Rafa Rocha, Samila Lages, Catalina Terrassa, etc... realmente, é bem complicado nosso cenário atual. Como meu blog não é sobre resenhas (eu faço resenhas sim, mas esporadicamente. A intenção do meu blog é falar de MEUS LIVROS), não vou ficar aqui citando títulos ou apontando dedos. 

Porém, é fato que hoje em dia qualquer um com dinheiro no bolso publica. Uma boa parte das editoras só quer $$ e muitos blogs de literatura só se interessam por livros que irão ganhar se resenharem com elogios (diga-se de passagem, muita das vezes, elogios inventados).

Assim, chutei o pau da barraca e me voltei ao submarino, mais precisadamente ao “literatura internacional”. Markus Zusak me devolveu o gosto em deitar na cama e adentrar numa história. Seu fantástico “A Menina que Roubava Livros” me fez voltar a gostar de ler. Então, há alguns dias fui atrás de o seu “Eu sou o mensageiro”. Como estava muito barato e eu queria aproveitar o frete, adquiri mais algumas obras.

Entre elas estava “Criança 44” de Tom Rob Smith. Não conhecia o autor e até então nunca tinha ouvido falar do livro. Mas, a capa demonstrando aqueles trilhos banhados em sangue – muito me lembrava Auschwitz – e o texto que deixava claro se tratar de um pós 2º guerra, me interessou de cara.

O que posso dizer? Acho que todas as pessoas do mundo deviam ler o livro.

É bem verdade que o sistema comunista da Ex-URSS e a Alemanha Nazista são tratadas de forma muito semelhantes (para não dizer iguais!), e a forma de alienar o povo também era bastante parecidas. Coibir opiniões, torturar qualquer pessoa que se manifestasse de forma contrária aos horrores praticados, obrigar as crianças a “Amar Stalin”, etc, eram apenas exemplos do que acontecia dentro do sistema.

A história é rica, perfeita e simplesmente eletrizante. Tom Rob criou (não... não só criou, ele construiu) um texto com personagens completamente humanos. Pessoas que sofriam, choravam, tinham duvidas e medos. A fome (de comida e pela sobrevivência) é bem tratada nas linhas, e até a vilania e maldade de alguns (que final foi aquele? Simplesmente espetacular saber quem foi o assassino!) era completamente justificada pela loucura de uma época em que só aqueles sem consciência podiam aguentar as pressões.

Depois de muito tempo me vi torcendo pelo casal dos livros. Depois de muito tempo mesmo! Raissa, uma garota órfã que foi vítima de abusos sexuais dos aliados quando a guerra acabou, e Liev, um homem cujo passado pesava mais que o sangue de inocentes em suas mãos, não formam nem de longe um casal normal de romances. Ela o odeia. Sim, odeia. E não é aquele ódio idiotinha de “Não gosto dele, mas mal posso esperá-lo para que ele me leve para a cama” como a maioria dos clichês por aí.  Ela o detesta verdadeiramente. Mas, que escolha teria Raíssa? Depois de tantos abusos, como se negar a casar com um homem que poderia mandá-la a campos de trabalho forçado em apenas alguns segundos se o ousasse rejeitar?

Contudo, o sentimento brota. E nisso o autor foi perfeito. Enquanto você lê, tenho certeza que terá duvidas sobre o amor (necessidade ou comodismo?) entre ambos, mas é simplesmente impossível não torcer para que eles fiquem juntos no final.

O enredo se baseia em um serial killer, que mata crianças sempre da mesma forma: próximo a trens, sob a neve, abrindo suas barrigas e torturando-as mantendo-as presas por barbante nos pés. 

Liev, o protagonista, precisa descobrir quem é o psicopata, mas antes precisa lutar contra o próprio sistema, que nega que existe alguém que pratique tais atos.

Criança 44 é um livro que merece ser lido e aproveitado. Eu li tão rápido (devorei) que pretendo relê-lo novamente em breve. Um prato tão saboroso merece ser melhor degustado.

3 comentários:

Suellen disse...

Uau! Eu acho esse livro muito pesado para ler nesse momento que estou, mas quem sabe eu o leia um dia.


Adorei a resenha e beijos!

Catalina Terrassa disse...

Enquanto você está fugindo dos livros nacionais e migrando para os estrangeiros, eu faço o inverso.

Atualmente a literatura estrangeira anda me decepcionando, ainda mais depois de ler o famigerado Cinquenta Tons de Cinza.

Mas confesso que fiquei com vontade de ler esse livro.

Josiane Veiga disse...

50 tons de cinza é uma exceção em qualquer língua, ne amiga?