quarta-feira, 18 de julho de 2012

Jehanie e Phill - a estranha amizade de A Insígnia de Claymor.



Jehanie, a protagonista de A Insígnia de Claymor, tem muitos defeitos. É mimada, completamente excêntrica e focada no seu próprio mundo. Ao mesmo tempo, numa época em que mulheres eram considerados objetos insignificantes, foi educada e amada com fervor pelos dois homens da sua vida: o pai e o irmão. Também foi a musa adorada do padre Adam, que a manteve sempre como uma pequena joia. 

Contudo, a personagem que tinha tudo para atrair antipatia, acaba tendo efeito oposto. Muitos pensam que era pelas tiradas geniais, pelo feminismo velado, ou simplesmente pelo lado cômico. Todavia, eu acredito que foi por Phill.

Phill foi um personagem da grandiosidade e importância de Junior (de Rendição). Não teve uma única fala em todas as páginas do livro, mas sua presença era mais intensa e poderosa que a da maioria dos personagens. 

Phill era um porco.

Sim, um porco.

A Lady Jehanie tinha como animal de estimação um simples mamífero que a maioria diria que servia apenas para alimento.

A história de Phill e Jehanie começa na infância. Por causa da credulidade do povo, um porco que nasceu aleijado começou a ser considerado maldito, com demônios. Desejoso de tirar as fábulas dos arredores de Claymor, Albert, pai de Jehanie, deixa a filha ir conhecer o animal. A amizade que nasce entre a menina e o porco é automática, mas após algum tempo, o inevitável acontece:

“Naquela manhã em especial, a manhã da Páscoa, ela acordou cedo e foi até o chiqueiro para mostrar a Phill os doces que havia ganhado do pai. Entretanto, ao se aproximar do lugar, não ouviu o habitual grunhir dele, e sim vozes de pessoas. Eram os servos de seu pai!
Quieta, ela se aproximou sem ser notada, e então viu, entre lágrimas, o corpo inerte do porco Phill, deitado sobre uma mesa de madeira, morto.
Eles haviam matado seu melhor amigo! E se divertiam arrancando-lhe as tripas!
Berrando como uma Lady jamais poderia, a menina atirou-se sobre o corpo do animal e chorou escandalosamente. As pessoas a encaravam sem saber como reagir, já que a criança que atrapalhava o momento de limpeza do corpo do bicho era a filha do senhor das terras.”

Contudo, assim que vê a irmã em desespero, Alexei decide salvar a todos os demais porcos de Claymor. Em pouco tempo, os animais se tornam de estimação e a carne de porco é banida das mesas do feudo.

Mais para frente, assim que Jehanie se perde da família, ela salva da morte outro porco, a quem chama de Phill para homenagear o antigo amigo morto pela gula.

O carinho que surge é tocante. E é ali que a maioria dos leitores vê o quanto a superficialidade anda longe da senhora de Claymor. Jehanie é verdadeiramente defeituosa, mas também vê a beleza no que o resto da humanidade não enxerga.



A Insígnia de Claymor têm muitas histórias de amor, amizade e também de ódio. Relacionamentos são formados e destruídos durante o relato da excêntrica família. Mas, de todas as histórias contadas, uma das que mais gosto é realmente de Jehanie e Phill. 

O amor de uma pessoa para um animal é um dos mais honestos e verdadeiros. Tenho orgulho dessa amizade ter sido narrada nas páginas brancas do livro.

E obrigada a todos que gostaram, igualmente. Abaixo um dos desenhos de uma leitora (Vivian) homenageando Phill.

Que viva para sempre, e longe das panelas, nosso amado porquinho.

2 comentários:

Suellen disse...

Esse é um dos livros que vou comprar em breve. Adorei a postagem.

Josiane Veiga disse...

Tenho certeza que vai amar... esse "eu agarantiu"