sexta-feira, 25 de julho de 2014

O Trabalho da minha vida - Kinshi na Karada

Japão, 2º Guerra Mundial.


Apesar do começo promissor, o exército japonês, um dos mais bem armados e fortes de sua época, viu-se acuado, pronto para a derrota. Na terra do Imperador, o medo parecia acompanhar, como um guardião, cada habitante do país. Nas ruas, a Kempeitai – Corpo de Soldados da Lei – impunha sua vontade com brutalidade e até a morte.

O Japão iniciava a década de 40 dividido entre a esperança e o medo dos dias vindouros.

Shiromiya Kazue cresceu nas ruas, órfão, acompanhado do irmão que o vendia a troco de arroz. Desde pequeno, sua aparência feminina contribuía para que o preço de sua carne fosse o bastante para que ambos pudessem sobreviver aos dias cruéis. Porém, num ambiente em que sobravam pessoas famintas e faltava dinheiro, ser jovem e bonito já não mais bastava. Foi assim que ele precisou se transformar em mulher.

Ryo era um poderoso comerciante, dono de uma frota de barcos pesqueiros. Viveu o período turbulento com relativa calma. Comprava a paz que necessitava, assim como o corpo daquelas com quem queria se deitar. Mas a vida ainda haveria de ensinar-lhe que, nem sempre, o coração de alguém está à venda e nem tudo é o que parece.

Kazue e Ryo se cruzam num momento difícil de suas vidas e não sabem o que fazer perante o que entre eles surge. Como Kazue, acostumado à dor e ao abuso, poderia entregar o coração a alguém que o via apenas como mercadoria? E como Ryo poderia amar um homem?

Kinshi na Karada pode ser traduzido como o Corpo Proibido para o português, e a história retrata a sociedade japonesa na primeira metade da década de 40.
A honra e a vergonha se cruzam, mostrando o que, de fato, existe em cada um de nós, humanos.



Lançamento 01/08/2014 - 



SEMANA DE LANÇAMENTO DE KINSHI NA KARADA 
NOTA DA AUTORA:


Todo escritor tem um texto especial. Uma ideia louca, aquele projeto na mente, algo que fica planejando por anos, aguardando o momento em que se sente preparado para tal. E então o coloca no papel (ou não), sentindo como se aquele texto fosse à exposição de toda a sua alma.

Kinshi na Karada ou, em português, O Corpo Proibido, é o meu texto especial. Comecei a pensar nele há alguns anos, quando li um spin-off da Melissa Araújo sobre uma judia presa em um campo de concentração. Durante toda a minha vida sonhei em escrever sobre a Segunda Guerra, amo o tema, mas sempre colocava esse projeto no fundo da mente, e o abandonava lá.

Não me sentia preparada, essa era a verdade...

No entanto, quando terminei Remissão, e li algumas resenhas na internet sobre o quanto os personagens eram humanos, percebi que havia chegado à hora. Minhas criações já conseguiam ser visualizadas sem restrições pelos leitores. Havia alcançado aquele ponto que todo autor sonha, que é de ter um grupo de leitores tão fieis que qualquer coisa escrita é objeto de desejo.

Então, em setembro de 2013 eu comecei a dedilhar as primeiras linhas de Kinshi.

Provavelmente, o texto tem um pouco de tudo que já escrevi, mas espero que exista um amadurecimento desde a última criação.

É uma obra de ficção. Todos os personagens são criações minhas, tirando, claro, aqueles históricos que provavelmente povoam os livros de história do mundo todo. Destes, tentei ao máximo ser fiel à personalidade conhecida, como a discrição de Hirohito e o orgulho de Hitler. Contudo, no geral, tudo faz parte da minha mente. Portanto, é fato dizer que nunca existiu uma casa Ai, nem que o Imperador japonês tinha um sobrinho tão amado, ou, ao menos, se teve não é o meu querido anti-herói Shin. Mesmo assim, faço questão de informar isso na nota para algum leitor distraído que possa vir a ler meu trabalho.

Por mais que, como escritora, eu tenha me esforçado ao máximo em respeitar momentos históricos, é natural que um leitor mais atento encontre pequenos erros durante a leitura. Lamento por eles. Entretanto, apesar do máximo esforço que fiz nessa obra, posso vir a cometer erros como qualquer humana.
No geral, Kinshi na Karada é minha alma transformada em linhas, letras, frases e capítulos. Não há como me doar mais do que o fiz durante o processo de construção do livro. Foi mais de um ano inteiro sem falhar um único dia de escrever, reler, corrigir, reescrever, pesquisar, chorar e amar.
As páginas a seguir é a manifestação de todo ser.
Kinshi na Karada conta a história de cinco amigos na fatídica sociedade japonesa dos anos 40. Os anos de guerra, capazes de converter o orgulho em profunda vergonha, e a prosperidade em desolação, também são capazes de mudar planos e reverter vidas.
Meu querido protagonista, o – numa linguagem atual – travesti Shiromiya é uma clara demonstração disso. De uma criança abusada, abandonada a própria sorte, vítima do destino e da maldade, ele percorre um caminho ao longo da vida que o leva a vencer a tudo, inclusive a si mesmo. Ele é a capacidade que todo ser humano tem de superar seus medos.
O amor de Aiko e Shin. Diferente, talvez até irritável. Mas, amor. O amor capaz de superar até o maior dos pecados da época. O racismo sempre andou junto com a sociedade. E ele sempre conseguiu ser um dos pontos humanos mais detestáveis e repugnantes.
A compaixão de Jiro, o sargento, de monstro a humano. Como alguém pode perdoar a si mesmo depois de servir em um campo de concentração?
E, por fim, o vidente Ryo. Aquele que via a tudo, mas não enxergava a si mesmo.
Eis um texto criado para questionar. Espero que cumpra seu papel.

Josiane Biancon da Veiga
Julho de 2014.
 

Um comentário:

Mizukitty disse...

Kinshi é mais que especial *-*