sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O Lorde da Torre - Grazie N. Ferraz


Sir Alex é um jovem artesão que amou o homem sagrado pelo Rei. Como castigo por tal ousadia, foi lançado em uma maldição cruel que privou-lhe não apenas de liberdade, mas também de todas as suas esperanças. Contudo, a distância e o tempo seriam mesmo capazes de separá-los? 

Um Conto de Fadas inspirado no poema A Senhora de Shallot de Lord Alfred Tennyson em 1842. 



A Autora
 
 Grazie N. Ferraz, paulista de Jundiaí – SP, trabalhou cerca de 8 anos como Professora de Educação Infantil na Rede Municipal de Ensino e em 2010 decidiu abandonar a profissão para começar a se dedicar a duas de suas maiores paixões: criar histórias e fazer arte.
O Lorde da Torre foi seu primeiro conto no gênero Yaoi (e também original) idealizado em 2008.





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E o que a Josy achou?

Essa semana estive demais! Três livros nacionais lidos e resenhados, hem? Na verdade, eu tinha por objetivo ler apenas o da Sheila e do Oscar, mas estava no facebook à tarde, e dai do nada me surge uma propaganda de um lançamento Yaoi. Olhei a capa, a sinopse, e me apaixonei a primeira vista. O LORDE DA TORRE tem tudo que me encanta na literatura: bem escrito, sem medo de polêmicas, e foge da mesmice insuportável que existe no mercado nacional.


O "Lorde da Torre", aquele que fora confinado à eternidade por ser o único a desafiar o rei! O Lorde que terá tudo o que necessita, salvo aquilo que ele mais deseja!"



Bom, diante disso, o que mais eu poderia fazer além de me entregar a essa obra? Costumo falar bastante mal da literatura nacional (não me arrependo, tem cada coisa... tem gente que só tem fama porque têm amiguinhos... porque de qualidade... ecaaaa), mas por sorte estão caindo tantas coisas interessantes em minhas mãos ultimamente. Gente sem medo de ousar, com capacidade de tocar, com inteligência pra criar... Enfim, sorte minha!

Ah, e isso a Grazie tem de sobra – coragem de ser diferente.

O LORDE DA TORRE tem um formato de conto, puxando muito para o estilo clichê dos contos de fadas. Mas, engana-se quem espera que a autora seja daquelas bobinhas, com um texto previsível e besta. Não, esse livro tem aquela pitada de provocação, de ousadia.

Já começa pelo casal. Sir Lex (Alex) ama o homem sagrado do Rei (Edwin). Um padre que, numa insinuação forte da autora, é obrigado a manter uma relação carnal com a majestade sem, no entanto, desejar tal coisa. Edwin ama Alex, e logo os dois partem para o finalmente. Porém, um romance destinado ao fracasso, já que além de serem homens, são proibidos de prosseguir nesse sentimento devido ao Rei, que deseja Edwin não só como amante, mas também como propriedade.

A crítica sutil é tão nítida e perfeita, que eu senti orgulho dessa autora ser alguém que já em sua primeira obra se dedica ao Yaoi (chupa sociedade!). Ora, Edwin sabia ser proibido de amar, mas ao mesmo tempo, em seu íntimo, entendia que Deus no céu não só aceitava seus sentimentos como abençoava sem amor.

O talento e a maturidade de Grazie, comparada com o que hoje existe no mercado, é tão superior que assusta. O romance de estreia dela demonstra que a autora já nasceu pronta. Agora é só brilhar.

“Inalava nelas o perfume de Edwin e extasiava-se apenas com um simples roçar de coxas. Sem querer, já estava estremecendo de comoção e desejava unicamente tocá-lo com a leveza merecida. Era inevitável o sorriso, o olhar perdido na face encantadora iluminada pelas chamas sibilantes.”

O texto, de uma delicadeza impar, tem apenas um defeito – ser curto demais. A maioria das pessoas devora aquelas quarenta páginas em minutos, sentindo aquela ânsia de mais. A boa notícia é que a autora vai prosseguir nessa caminhada. Vamos nos preparar mais para livros perfeitos   

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

CABRA CEGA - Sheila Ribeiro Mendonça



Clara e Gustavo se conhecem em um clube de Curitiba quando ela estava pensando em viajar, antes de começar a faculdade, e então se apaixonam e casam. Assim, a vida de Clara muda rapidamente. A mudança é radical, pois Gustavo se revela um homem agressivo, ciumento, possessivo, violento, ardiloso e perspicaz, com isso transformando a vida dela numa constante surpresa e esconde-esconde. Não somente de comportamentos, como também de cidades. Com o intuito de não criar laços com ninguém e, principalmente, de não deixar que a família de Clara saiba onde ela está, você vai acompanhar Cabra Cega sem ter a certeza de até quando aquela cidade fará parte dos planos de Gustavo. Em Cabra Cega acompanhamos os escondidos.




O autor - Sheila Ribeiro Mendonça
Sou jornalista há 15 anos e justamente escolhi esta profissão por conta da minha enorme paixão pela escrita. Tudo desde de pequena me inspira, claro que com o passar dos anos fui evoluindo com as palavras e sensações. E foi assim que no início da idade adulta escrevi o meu primeiro romance. A escrita definitivamente é o ar que eu respiro. Algo que me move e muitas vezes é até maior do que eu mesma, assim fazendo com que em qualquer lugar e situação que eu me encontre pegue um papel e caneta e deixe a inspiração que chega fluir em palavras, sem a pretensão de transformar em um texto perfeito, apenas escrevo e sinto um enorme prazer com isso. Escrevo simplesmente com o coração e com a inspiração que Deus me dá. E foi assim que escrevi o meu primeiro romance na certeza de que sigo no caminho da arte de escrever.







E o que a Josy achou?



Já tinha algum tempo que eu queria ler Cabra Cega. Os motivos iam desde a simpatia que eu tenho pelos textos da autora (costumo ler as coisas que ela posta no face, no blog, etc) até a curiosidade pelo tema, pouco explorado aqui no Brasil.

Apesar de sermos um país com um número gigantesco de vítimas de violência domestica, são poucos os autores que se sentem capacitados para escrever sobre tal. Sheila demonstrar estar entre os autores que podem lidar com o tema.

Por si só Cabra Cega já é um livro polêmico. Mas, a forma como ele é narrado pode aumentar ainda mais isso. O livro não tem diálogos, apenas uma narração em terceira pessoa. Assusta, não é? Mas, garanto que consegue trazer proximidade entre o leitor e a – pobre – protagonista.

Gustavo e Clara eram um casal aparentemente normal, mas que mantinham algumas características estranhas, fazendo com que ambos se tornassem pessoas que despertavam certa curiosidade onde moravam. Trancada em casa, protegida por cortinas e proibida de falar com os vizinhos, Clara é uma jovem que sofre pela obsessão do marido, alguém que anda na corda bamba entre a psicopatia e a maldade. 

De cara, percebemos que dificilmente a mulher (a vítima) sabe onde está se metendo. Tanto na vida real quanto na história. Em Cabra Cega, o agressor era um estudante de medicina e frequentava um clube familiar. Ou seja, era acima de qualquer desconfiança/suspeita. Mas Sheila é clara em narrar que todo maluco tem algum ponto que se entrega. No caso de Gustavo, ele simplesmente não tinha amigos nem família. Mesmo no casamento, não havia ninguém “da parte dele”. 

“Ah” pensamos “se Clara tivesse percebido isso de cara, não teria passado por nenhum dos seus problemas”. Mas, tanto no livro quanto na vida, a maioria das mulheres não tem coragem ou capacidade de distinguir a encenação dos homens violentos. Tornam-se vitimas não só desses homens, mas também de si mesmas. Talvez pelo lado financeiro, ou pela dependência psicológica, o fato é que muitas mulheres sentem medo de morrer caso larguem os agressores ou sentem pavor de envelhecer sem um macho. Triste fim de quem se permite ser alienada pela sociedade que só da o valor para a mulher que tem um homem do lado. Mas, isso é discussão das grandes pra outro momento.

É meio chocante o fato de que a protagonista Clara é completamente submissa e covarde, sem voz de se levantar. Já li algumas resenhas de pessoas revoltadas com a Sheila, como se a autora fosse culpada pela apatia da personagem, sem saber que qualquer pesquisa sobre o tema prova que a maioria das mulheres vítima de namorados/maridos/companheiros são o retrato fiel de Clara. 

E culpar a família? É complicado se envolver. Isso me lembra duma história que a minha mãe conta de quando estava grávida de mim.

Aos sete meses de gravidez, a vizinha estava apanhando do marido, e minha mãe resolveu se meter. Ficou tão nervosa, que teve uma hemorragia e foi levada as pressas para o hospital.  Graças a Deus, não me perdeu (não estaria aqui resenhando kkk), mas ao voltar pra casa depois de uma temporada muito difícil no hospital, encontrou a vizinha e o marido aos beijos no portão. 

Isso prova o quê? Que Deus dá a vida pra cada um cuidar da sua. 

Quem armou a própria cama foi Clara. Ela fez todas as vontades do marido, submetendo-se a personalidade doentia. Mesmo nas vezes que a família (especialmente a irmã), fazia menção de se envolver e defendê-la, a personagem abria seus braços para a apatia, aceitando seu destino. Mesmo sendo um livro curto, a trajetória da história é a busca de Clara em, mais que lutar contra Gustavo, lutar contra si mesma.

Não vou dar spoilers, é imperdoável, mas gostei de saber que a personagem, até o final da obra, aprendeu seu valor.

Indico? Com certeza. É um bom livro de estreia o da Sheila, corajosa num país de mesmices.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Waverly Hills - Onde Reside o Mal


O sanatório de Waverly Hills é considerado um dos lugares mais assombrados das Américas e há anos guarda segredos que ainda não foram revelados. Um grupo de brasileiros decidiu ir até o Estado do Kentucky (EUA) e decifrar esses mistérios. Poderão eles descobrir os motivos de haver tanta maldade naquele lugar ou serão forçados somente a lutar por sua sobrevivência?


O Autor
Oscar Mendes Filho é paulistano. Possui oito obras publicadas através do Clube de Autores: Prisioneiro da Eternidade – RPG, Contos Para Nunca Esquecer, HANZ, JOSHUA, PRISIONEIRO DA ETERNIDADE, PRISIONEIRODA ETERNIDADE II - A Redenção, Contos Para Nunca Esquecer Vol. II e Waverly Hills - Onde Reside o Mal. Responsável pelo blog: Prisioneiro da Eternidade (www.prisioneirodaeternidade.blogspot.com) onde publica contos de sua autoria e algumas notícias acerca da Literatura Fantástica.                


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E O QUE A JOSY ACHOU?              


Bom, vamos lá: coloque a corajosa Josiane Veiga lendo um livro de terror e temos uma Josiane Veiga sem dormir a noite. Ah, claro, esqueci-me de mencionar o fato de que eu só assisto SuperNatural de dia, só leio Stephen King de dia, e que não vejo filmes de terror porque, apesar de obviamente eu não acreditar em espíritos, eu admito que posso estar errada. Então, coloque essa mesma Josiane lendo um livro de terror em que o fundo é o famoso sanatório que, ainda hoje, tem seu prédio considerado o mais assombrado da América, e aí sim teremos uma Josi que definitivamente vai passar a noite de sábado em claro.

Ahhhhhhhhhhh malditos livros bons que eu não resisto. Ainda mais do Oscar, que é famoso por ser um dos melhores do gênero aqui no Brasil.

Enfim, para entender a história é preciso conhecer um pouco sobre o sanatório Waverly Hills. Construído no inicio do século para abrigar doentes de tuberculose, ele foi palco de muitas mortes, suicídios e até experimentos com doentes terminais. Hoje ainda é palco de estudos de fenômenos paranormais e, dizem, que um filme gravado lá teve até efeitos como vozes aparecendo nos áudios, de forma que ninguém até hoje explica.

E esse foi o palco escolhido pelo Oscar Mendes Filho para seu excelente “Waverly Hills – Onde Reside o Mal”. O livro (curto, menos de 60 páginas), tem um ritmo acelerado, quase asfixiante, como aliás devem ser sempre livros desse gênero. Sua narrativa é como um documentário, e diversas vezes temos que nos lembrar que estamos lendo uma obra de ficção e não algo que realmente ocorreu.

Oscar começa a obra falando sobre uma expedição de brasileiros que vão até Waverly Hills para estudar os tais fenômenos. Narrado em terceira pessoa, mas alternando-se a primeira, quando o texto se foca em personagens distintos, através das falas que os médiuns fazem para um gravador (eles arquivam todos os momentos), podemos sentir com veracidade o medo que se experimenta num lugar daqueles.

Num dos momentos, a médium Samanta, que está no túnel da morte, narra:

“Posso sentir a fúria dos espíritos que viram seus corpos sendo empilhados para transporte e posso ver algumas pessoas gritando e chorando, desesperadas. Vejo, ainda, médicos e enfermeiras ainda trabalhando aqui como se ainda estivessem vivos.”


A experiência de Samanta, aliás, é de arrepiar. Juro que teve momentos que eu parei, fui lá pra sala, brinquei com a Minikui(uma das minhas gatas)... e depois voltei. A narrativa em primeira pessoa (quando ela narra pro gravador) parece dar uma agonia muito maior que o normal.

Todos os demais médiums e pesquisadores passam por situações horripilantes, enquanto o clímax vai aumentando, e então vem o desfecho, inimaginável.

Enfim, é um ótimo livro, uma história pesada, um prato cheio para amantes do gênero. Aliás, o terror no Brasil é muito pouco explorado, e acho que Oscar tem um grande caminho ^^ Sei que ele está colocando seus livros da Amazon, adicionem a obra no skoob e quando sair na Amazon, não deixem de conferir. 



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Novo trabalho - O Pilar


Dentro de alguns dias estarei disponibilizando o meu primeiro livro destinado ao público teen. O Pilar é um conto rápido, narrado em primeira pessoa, e conta a vida de Emma, uma jovem interna que acaba parando dentro da história de um misterioso livro.

O Pilar foi escrito por mim aos 14/15 anos, ou seja, já tem mais de uma década. Fiz versões de fanfic da história, mas decidi atualizá-la e torná-la livro porque tenho um apreço muito grande pela história.

Nessa caminhada, duas pessoas foram e estão sendo de extrema importância: Fabiana, minha beta, que está me dando muitas dicas sobre mitologia (eu não havia tido muito cuidado com as lendas quando escrevi o texto), e que está corrigindo o texto. Também agradeço de coração ao Mac e Ira, amigos que me ajudaram com a capa. Graças a eles, consegui uma capa linda pro livro ♥ O que seria dos autores nacionais sem os amigos?
kkkk



Bom amados, o texto ainda não está disponível, mas peço que adicionem o livro no skoob. Isso é de muita ajuda:

http://www.skoob.com.br/livro/370822-o-pilar

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

PROMOÇÃO DE NATAL

KIT





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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Resenha - A Profecia de Hedhen

A Profecia de Hedhen


Saga Os Tronos da Luz - Livro 1


Sinopse: Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada por todos os povos, espalhando sua sabedoria, justiça e paz. Mas as trevas, infelizmente, começaram a entrar naquele mundo e corromper os corações. Os Tronos foram enfraquecendo, e para manter a esperança eles criaram a Profecia, antes que sua luz fosse apagada de vez. A Profecia falava do retorno dos Tronos em dias futuros, onde este já seria dominado pelas trevas. Os três sinais dos “Luminares” estariam marcados nos corpos daqueles destinados a receber essa luz ancestral e poderosa. Dos três, um deveria assegurar o cumprimento dessa Profecia, sem se importar com as conseqüências; o outro deveria sacrificar a própria vida em troca da vitória; apenas um permaneceria oculto para sua própria segurança, pois em suas mãos repousaria o Cetro de Luz, símbolo dos antigos Tronos. Será que essas três pessoas, portadoras dos poderosos sinais, teriam forças para lutar contra o mal e trazer de volta a sabedoria, justiça e paz dos dias antigos?


A Autora
Ana Cristina Lacerda Aguiar nasceu em Fortaleza, no estado do Ceará, no dia 29 de junho de 1969. Cursou quatro anos de Teologia pelo STP (Seminário Teológico Peniel), e é licenciada em História pela UVA (Universidade do Vale do Acaraú). Atualmente trabalha como professora de História e Geografia no Centro Educacional MFQ. É também uma das idealizadoras do Projeto Pátio Artes, que visa integrar comunidades pobres no contato com qualquer tipo de arte. Entre os seus hobbys estão a paixão pela leitura, o cinema, a dança e o vídeo game, que ela adora compartilhar com as filhas. Atualmente reside em Fortaleza com as filhas Sara e Rebecca, e com os pais Airton e Ivete.

Cristina Aguiar escreve desde criança. Suas primeiras tentativas consistiam em tentar recriar diálogos de filmes que gostava. Depois, passou a criar histórias próprias tentando dar continuidade a esses filmes. Aos dezessete anos já se aventurava a fazer esboços na procura de uma história ideal. Acumulou vários cadernos com fragmentos de textos que nunca foram para frente. Viajantes foi o primeiro livro que conseguiu terminar, mas acabou encostando-o na gaveta, apesar da opinião favorável daqueles que o leram. Aconteceu o mesmo com A Tenda Peregrina, um romance juvenil sobre um grupo de jovens arqueólogos que parte em busca de um artefato bíblico. Quanto ao livro A Profecia de Hedhen, foi um sonho realizado. Ele é a soma de várias experiências que deram certo e o início de uma saga cujo terceiro volume já está sendo escrito. 







E O QUE A JOSY ACHOU?

Num país onde a literatura nacional é recheada de personagens femininas fracas, sem pulso, sem coragem e impetuosidade, onde personagens masculinos mesquinhos e carrascos são idolatrados como exemplo de masculinidade, aonde enredos chegam a nos causar sono, onde autores se inspiram em modinhas ao invés de clássicos, eis que surge um livro de capa impecável, de diagramação deslumbrante e de uma história de tirar o fôlego.


Prepare-se: A Profecia de Hedhen de Cristina Aguiar vai mudar sua visão sobre literatura nacional.


A história, mesmo que extraordinária, não tem como fundo algo muito diferente de outras histórias de literatura fantástica: Um mundo criado pela autora, onde o mal domina e tudo está envolto em trevas. O que faz a diferença no texto de Cristina é a forma como isso é narrado. Uma antiga profecia fala de três nascimentos onde um Rei, uma Herdeira, e uma Guardiã, irão trazer novamente a luz. Ocultando o rei por algum tempo (apesar de eu ter percebido quem é ele nas primeiras linhas), a autora logo nos traz Deborah (filha da antiga Rainha morta durante o parto), e Jael (neta de um ferreiro), como a Herdeira e a Guardiã. Assim que nascem, Hilda, a profetiza, as leva para uma terra de rebeldes, onde elas crescem se preparando para assumir o posto que lhes pertençam. De tal modo que chegam à idade adulta, tanto Deborah quanto Jael partem em busca de seus exércitos, a fim de unirem forças na batalha final.  


Porém, antes mesmo dessas cenas acontecerem, ainda na terra dos rebeldes, elas já enfrentam uma batalha contra o filho da atual Rainha, que descobre que a Herdeira nasceu, já é adulta, e é uma forte guerreira (tão forte que o derrotou no campo de batalha). Nessa cena, que transcorre logo nos primeiros capítulos, já dá pra notar a mão da autora em cenas de lutas e guerras. Muito bem descrito, uma narrativa impecável e rápida.


É inegável que Cristina Aguiar teve a influência de autores como Tokien, C. S. Lewis e Marion Z. Bradley. Dos dois primeiros autores Cristina captou a importância da narrativa clássica, e das descrições impecáveis. De Marion, veio a capacidade de criar personagens femininas fortes e honradas. Mesmo com a tarefa diante de si, tanto Jael quanto Deborah, apesar de humanas e, consequentemente, tendo defeitos, permanecem com a postura inalterada diante da seriedade da missão que as aguarda.


Jael é impetuosa como uma égua selvagem, não tem lá muito bom senso, mas no desenrolar das páginas aprende a dominar a si mesma. E Deborah lembra bastante outra personagem de uma autora nacional (Luciane Rangel), chamada Maire, pois ambas conseguem ser fortes e aguerridas, e ainda assim são mulheres, com suas próprias fragilidades.


Porém, o que realmente me surpreendeu foi a construção de Hedhen, o mundo de Cristina. Assim como C. S. Lewis, percebo que ela captou muitas coisas da Bíblia, usando com sabedoria passagens que podem trazer mensagens profundas. A máscara da religiosidade, mesmo dos bons, é muito bem explorada por Cristina. Ora, tem o povo adorador do Pai Criador o direito de cortar a mão de alguém que rouba porque tem fome? Sendo que esse mesmo que tem fome só a tem porque os bons não lhe dão trabalho por ser estrangeiro? E tem os bons o direito de agredir uma mulher amazona (do exército inimigo), apenas por causa de sua armadura negra? Ou merece um homem de passado obscuro o direito de ser perdoado e lutar pelo lado certo.


Mesmo a decisão romântica de Deborah não veio sem antes confrontar-se com a profecia. Lembrei-me de um discurso religioso que ouvi certa vez, onde o orador dizia que devíamos perguntar a Deus, sempre, quando namoramos, se aquela pessoa é a certa para nós.


A literatura de Cristina Aguiar não é fácil. Talvez, muitos leitores sem bagagem se veem perdidos diante dos questionamentos que uma obra com tanta profundidade possa trazer, mas é um pecado dizer que não devem lê-la. Cristina faz parte do núcleo dos bons autores nacionais e deve sim ser lida, principalmente em escolas. Talvez esse tipo de literatura, cheia de mensagens e interpretações, possa trazer um pouco mais de sabedoria a uma educação que naufraga a olhos vistos.


Minha nota, de 1 a 5 é........4.


Por que diante de tudo que disse, minha nota não é máxima?


Em minha opinião, houve um pequeno “porém” no livro. Atalia, a rainha má da história.


Cristina tem um grande enredo, uma grande história, uma técnica admirável, personagens bem construídos e criatividade pra dar e vender. Porém, não tem vilã. Nas poucas linhas citadas, não dá pra visualizar Atalia. Ela é má, cruel, desumana ao ponto de mandar sacrificar crianças, e perseguir e cegar a própria sobrinha. No entanto, não sabemos os porquês, nem o que carrega em sua alma. Não falo dos outros vilões, eles não me trazem interesse, mas simplesmente fiquei esperando por um capítulo sobre Atalia que não veio.


A história só tem um lado. Só o lado de Deborah e Jael. Simplesmente Atalia é narrada como um monstro, mas não existe justificativa para tal. Assim como na história da Igreja cristã através dos tempos, apenas quem adora o Deus-Pai têm direitos, podendo avassalar tudo em nome do seu deus? Qualquer outro adorador de outro deus é errado e tem que ser destruído?


Na verdade, fiel a forma “torkiana” de narrar, Cristina desempenhou seu papel. Mas, eu sempre pensei como o autor Kiril Yeskov (autor do livro O Ultimo Anel, que mostra o outro lado da história de Tolkien), onde todas as guerras têm dois lados, e ambos os lados tem suas razões e loucuras.


Enfim, pano pra manga, não? E somente livros bons de verdade causam isso, causam essas discussões infinitas e interpretações variáveis.


Não deixe de conhecer a obra.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Insígnia de Claymor na Amazon

Para quem não pôde comprar a versão impressa, a Amazon vende o ebook num preço mega camarada

http://www.amazon.com.br/A-Ins%C3%ADgnia-de-Claymor-ebook/dp/B00E8GXTWI/ref=sr_1_1?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1378836641&sr=1-1


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Esclarecimentos sobre A Insígnia de Claymor

Bom dia amores!

Ontem à noite pensei em fazer esse post, mas com o frio que está sobre Ijuí, acabei desistindo e fui dormir. Então, depois de ler os e-mails e cumprir minhas obrigações profissionais hoje, vim correndo escrever alguns recados.

Bom, como todos já sabem, faz uns 20 dias que a Modo começou a vender A Insígnia de Claymor no seu site e na Amazon. Desde então estou sendo bastante questionada sobre o 2° livro, algo compreensível, afinal IDC termina de uma forma “aberta”. Primeiramente, eu respondia a cada leitor de forma ordenada, via MP, etc. Mas, como já são muitos (graças a Deus!), estou começando a copiar e colar o que passo para cada um, o que considero um desrespeito. Então, resolvi que o melhor era fazer um post geral.

Assim sendo, quero explanar e me colocar a disposição para qualquer dúvida de leitor, afinal de contas interação é importante para o meu trabalho. Se não quiser perguntar no post, pode perguntar pelo email josiane_veiga@yahoo.com.br
Mas no geral, aqui vocês encontrarão a explicação da autora.

Vamos lá:
Quando comecei a ler, ainda na pré-adolescência, meu autor favorito era Érico Veríssimo. Cresci na cidade vizinha a sua cidade, e li praticamente tudo que ele escreveu. Mas foi a saga dos Terra que mais me marcou. Para mim, a forma como Érico narrava à trajetória daquela família era perfeita, era respeitável. Lembro-me até hoje da triste sina de Ana Terra e, após isso, mergulhava na vida de Bibiana (sua neta). Então, sempre pensei que quando fosse contar a história de uma família eu faria igual. 


Ou seja:
Começaria com os filhos de Albert, e depois partiria para os netos e bisnetos.
Mais claramente: no 1° livro contaria a história de Jehanie e Alexei, e no 2° continuaria com a vida do filho de Jehanie (que ela já tem no ventre, fruto da única noite que teve com Daniel).

Isso quer dizer que sim, o livro A INSÍGNIA DE CLAYMOR, termina ali

Por mais difícil que seja para os leitores, Daniel fez sua escolha. Sei que o leitor nacional é acostumado com finais fofinhos e cheios de coraçõezinhos andando pelo ar, mas Sergio Camach (um escritor que admiro muito, autor de Para Sempre Ana) explicou bem em sua resenha:


“Daniel teve a oportunidade de escolher entre o amor e a vingança; Alexei amargou uma (metafórica) justiça poética (cabe ao leitor julgar se o fim dado ao jovem Claymor trará ou não felicidade ao personagem); Jehanie viveu experiências fora de sua redoma que poderão fazê-la crescer...”


Por mais que o final seja chocante, é o final. 

No próximo livro “O filho de Claymor”, Jehanie e Alexei seriam meros coadjuvantes, assim como Daniel, que voltará para prosseguir em sua vingança.

Na época que escrevia IDC em sites na internet, a ideia era escrever todos os livros num tópico único. Porém, tive problemas pessoais graves (um acidente que levou as pernas do meu padrasto), e tive um bloqueio que resultou na minha retirada do mundo dos Claymor. Levei cerca de dois anos para voltar a escrever e só consegui quando encontrei outro universo: os Jishu. Na saga Jishu sim, eu consegui concluir os 3 livros. Rendição (481 páginas), Redenção (413 páginas) e Remissão (534 páginas) já estão à venda e foram os livros que me projetaram no cenário nacional. 

Mas você que leu IDC deve estar se perguntando: Eu escreverei o próximo livro dos Claymor?
Sim, um dia. 


É uma promessa a mim mesma. Quando um autor sai do universo de seus personagens, essa volta é muito complicada. Ele precisa se focar novamente, precisa voltar a respirar a cultura, a época, os costumes. Ele precisa voltar a conhecer intimamente cada personagens, saber sua postura, suas falas, etc. Sei a história do próximo Claymor na cabeça. Sei o que vai acontecer, etc. Mas, colocar o que tenho em mente no papel é complicado, difícil e cansativo. Um livro é como um quadro em branco, que deve ser lapidado e pintado com cuidado e respeito. 

Nesse momento estou sem escrever. Terminei Remissão em agosto, e estou me dando uma folga até o verão, quando começarei outra história. Não é a história de Claymor, e sim um livro que se passará na 2º Guerra Mundial. Já estou nesse enredo, já estou me emocionando com a dor dos personagens, já estou construindo cada cena na mente, ou seja, já estou no mundo de “Corpo Proibido”, um drama que contará a história de um travesti que trabalhará em um prostíbulo durante a guerra. É uma história muito triste, onde estou me entregando com toda a minha alma, vendo muitos filmes e estudando muito o comportamento social da época. 

Talvez depois desse livro, eu volte a Claymor, volte aos castelos frios da Inglaterra, volte à vilania de Alexei, e a ingenuidade de Jehanie. Talvez eu volte ao cheiro acre do inverno, e aos porquinhos que circulam livres pelas terras de Albert. Vamos ver... talvez.

Porém, não volto para a história onde ela terminou. Volto para a história 20 anos depois, volto já para o filho adulto da ruiva, e sua lealdade ao homem loiro que ele chama de pai.

Então, era isso. 

De coração, obrigada a todos que se envolveram na história e gostaram do meu trabalho.