sábado, 13 de julho de 2013

Resenha - Angellore - A Divina Conspiração

Olívia Giacomelli é uma investigadora de polícia especializada em complexos casos de assassinato. Competente, ela sempre conseguira resolver com êxito cada um deles, nunca encerrando um crime sem solucioná-lo. No entanto, uma sequência de mortes misteriosas vinha ocorrendo desde 2007 sem que o assassino deixasse rastro. Sophie, uma jovem universitária perseguida por sombras sinistras, tenta superar a ausência da família que morrera num terrível acidente de carro no reveillon de 2008. Em busca por respostas, os caminhos de Sophie e Olívia se cruzam e ambas irão se deparar com uma realidade aterradora. Elas se veem em meio a uma batalha invisível que desde sempre era travada por seres imortais: os Angellores. Agora, elas estão num terreno obscuro e assustador, precisarão se arriscar para descobrir a verdade que mudará suas vidas para sempre.




A Autora:

Gabrielle Venâncio Ruas é mineira de Contagem, e começou a escrever ainda na infância.

Tudo começou num belo dia, dentro da sala de aula, quando a professora de português pediu aos alunos que fizessem uma redação de uma página sobre alguma história criada pelas próprias crianças, e a sua deu quase vinte! Foi a partir disso que descobriu sua vocação para a literatura, e desde então não parou mais de escrever.

Cresceu lendo livros compulsivamente e assistindo animes japoneses na TV (Sailor Moon, Cavaleiros do Zodíaco, Shurato...), de onde vem grande parte de sua inspiração literária. Começou a elaborar seu primeiro romance, Os Sete Medalhões – A Lenda, aos 12 anos e, após concluí-lo seis anos depois, o lançou de forma independente pela internet, o que lhe rendeu experiência e a ajudou a conquistar seus primeiros leitores. Além de escritora, também é desenhista amadora.

Atualmente cursa Bacharelado em Letras e Literatura na Universidade Federal de Minas Gerais e pretende seguir uma carreira sólida na área da Língua Portuguesa e das belas-letras literárias. Almeja ganhar um espaço no panorama nacional e ter seus livros entre as estantes das livrarias e nas mãos dos leitores brasileiros. Angellore – A Divina Conspiração é seu primeiro romance publicado.

 Skoob:
Compre




E o que a Josy achou?



Essa semana chegou para mim o livro de Gabrielle Venâncio Ruas, Angellore - A Divina Conspiração, lançado pela Modo Editora. Assim que saiu o booktour eu me escrevi, muito mais para cumprir a meta de ler livros nacionais esse ano, do que realmente por interesse, afinal de contas era um romance sobrenatural... e, sejamos francos, a maioria dos romances sobrenaturais é um belo pé no saco.

Mas, o livro chegou. A capa é estilo Modo, lindíssima, e a diagramação caprichada, enfim, tudo para trazer interesse. Peguei o livro nas mãos, com a intenção de dar uma olhadela no estilo da autora, ler... Sei lá... umas 10 páginas e ir dormir.

Pasmem, li em menos de uma hora quase cem páginas e só parei porque minha mãe bateu na porta do meu quarto avisando que já era quase meia noite e que eu tinha que levantar cedo...

CARACAS! UMA AUTORA NACIONAL BOA! Boa não, ótima! 

O livro tem estrutura, tem um enredo que realmente te faz perder o fôlego, e dá até certo medo em algumas cenas, ainda mais se você resolve ler o livro a noite. A história gira em torno de duas mulheres, cada uma com seu próprio passado, interligados por fatos inexplicáveis, envolvidas em uma trama que surpreende.

A primeira vista Angellore pode parecer simples, mas não é. Narrado em primeira pessoa você acompanha os pensamentos e sentimentos de cada protagonista. 

Olivia, uma detetive que tem fama de sempre desvendar todos os casos, tem em suas mãos um caso de assassinato, onde a vitima não tem marcas nem inimigos. Simplesmente sabe-se que a garota morreu, mas ninguém entende como. Na sua carreira, não é o primeiro caso assim. E em todos eles, as únicas testemunhas dizem que as vitimas morreram após serem envolvidas em uma áurea negra.

Numa historia paralela, conhecemos Sophie, uma estudante de história que tem uma vida comum, amigos comuns, um emprego calmo, mora com a tia e meio que parece balançar pelo melhor amigo Fernando. Porém, Sophie não é comum. Ela vê vultos e tem sonhos desde que perdeu a família em um acidente de carro. Suas visões são apavorantes, e juro para vocês que fiquei grilada em dormir depois de ler a garota sendo perseguida por sombras negras numa rua. Outra coisa que a destaca é que Sophie sente o cheiro da morte, então cada vez que ela sentia aquele cheiro podre eu ficava angustiada...rsrsrs. Nesse ínterim, Nicolae, um jovem sedutor aparece na vida de Sophie, confundindo-a com uma postura que às vezes era ofensiva, e em outras, protetora. 

Resenhar o livro é uma tarefa complicada, porque muitas das cenas importantes não podem ser contadas, afinal de contas, seria das spoiler. E dar spoiler de Angellore é imperdoável, porque nada supera o fato de que a cada paragrafo lido você desvenda mistérios que sequer pensou.

Angellore é uma obra em que nada é o que parece. Nem sempre a família foi perfeita, nem sempre os amigos são realmente amigos, ou os inimigos são realmente inimigos. O livro é muito bem pensado, bem desenvolvido, e a pesquisa histórica sobre os ceifadores (ou anjos de asas negras) é um espetáculo a parte. A autora tem técnica e tem alma. Não é aqueles livros vazios com apena sum amontoados de palavras. Nessa obra você realmente se emociona com as protagonistas, e sinceramente, é impossível não se apaixonar por Nicolae.

Ok, eu sei. Ele foi bruto boa parte do tempo, mas a abnegação dele em cuidar de Sophie... ahhhh, quem resiste? Fora que ele é muito mais carnal que ela! Sophie chegou a ser irritante em algumas cenas, incapaz de seguir os próprios desejos. Mas, ele não... mesmo... cof cof cof... mesmo sendo... kduhfiurejds... enfim, ele ainda era capaz de se sentir paixão.

Angellore, a divina conspiração é uma obra única, uma pérola da literatura nacional. Nota dez! O único porém será a agonia para esperar a continuação.

Mal posso esperar!



quinta-feira, 27 de junho de 2013

Capa Aberta de Remissão + desabafo da autora



 Após cinco anos, mais de 1500 páginas, muito trabalho, dor, lágrimas e suor, enfim a saga da banda Jishu chega ao seu final. Em agosto estarei disponibilizando para venda o livro REMISSÃO que encerra a trajetória de Ken, Ninomura, Shuichi, Aiko e Kin. A banda Jishu começou num sonho meu de escrever algo pequeno, apenas para entreter, mas tomou proporções enormes, tornou-se um marco na vida de muitos leitores, trouxe-me amizades e inimizades, e enfim, conseguiu cavar fundo na ferida da dita aparência social que nos cerca.
 


Teve de tudo. Pessoas normais, loucas, amadas, odiadas, lindas e feias, de todas as concepções. Lidou com assuntos que doem: prostituição, idolatria, amor, falsidade, amizade... enfim, durante os três livros dancei no universo de uma banda de cinco garotos que precisa fingir o que não são para manter um sucesso que nem sempre os faz feliz.




Muitos autores sonham em ter uma trilogia com esse peso. Eu consegui.  Não vou minimizar meu feito, porque sinceramente não preciso. Rendição e Redenção são alguns dos livros mais vendidos do Bookess. No Clube de autores também tiveram muitas vendas. Nos sites que estão disponíveis para leitura, tem – e muita – gente lendo.


 
Remissão caminha em direção ao mesmo futuro. No site em que minhas leitoras betas acompanham antes de eu corrigir e transformar em livro, reparem na quantidade de comentários:



E o último capítulo ainda não foi postado! Então, imagino que com o último capítulo postado vou chegar a 2.700 comentários fácil.  Sou autora de fanfics a muitos anos e sei que essa quantidade de comentários num mundo original é quase utópico, impossível, então... nem tenho palavras.


A trajetória da trilogia só aconteceu por alguns apoios nos momentos difíceis. Num momento em que muita gente boicotou Rendição, Nina (a pessoa que fez o prefácio do livro 1) e Yara mantiveram-se leitoras fieis. Quando a média de 100 comentários por capítulo caiu para 1 ou 2, foram as duas que comentavam e surtavam publicamente, lixando-se para quem não gostava.


Com Redenção, Fabi, Dani e Isa apareceram. Fabi, aliás, fez o prefácio do livro 2. Fabi é uma autora audaciosa, incrível, e foi ela que me deu dicas e criticas construtivas. Fabi trouxe de volta o gosto dos comentários, aquilo que eu tinha perdido com o boicote. Dani foi a pessoa que me manteve com os pés no chão. Acho que ela não sabe da importância que teve pro livro, mas é bom contar agora, muito das coisas que surgiram, até mesmo da vontade de escrever, veio da cobrança dela. Isa, a minha convidada para escrever o prefácio da despedida, era minha alma gêmea comentando o que eu sempre tinha vontade de falar mas não podia pela ética de autora. Tão doida quanto eu, não é a toa que sou louca por ela.


Samy sempre será lembrada por mim como a pessoa que defendeu Shuichi quando ninguém mais fazia. Bárbara como a pessoa que peitava o personagem, e dizia o que pensava dele, sem medo nenhum de quem não gostava.  As duas tiveram coragem porque em nenhum momento ficaram neutras. Outras acompanharam, mas foram elas que me marcaram.


Tesho era quase sempre a primeira a comentar, então quando eu postava, sempre ficava aguardando o comentário dela aparecer na minha caixa de mensagens. Yukari era a que mais me fazia rir, porque ela sempre tinha as melhores teorias sobre a trajetória da fic, infelizmente não pude usar a de Shipou-san, mas... E tinha a Gaby, que a cada comentário, parecia resenhar a fic. Ah, como consegue ler minha alma assim?


Pri, Faby, Cyn, Gi, Louise, Bruh, Naj, Denise, e tantas que fizeram parte desse trabalho, muito obrigada pelo apoio. Sei que esqueci de citar várias (realmente, me perdoem!), mas por favor, todas as pessoas envolvidas, sintam-se de certa forma abraçadas por mim.


Aos leitores dos livros, especialmente Cássia, Catalina, Joice, Cristal, Virginia, Suelen... muito obrigada. Aos leitores anônimos, aqueles que não podem dizer que leem (recebo e-mails de educadores, ou de demais pessoas que não podem admitir que leram uma saga gay) meu muito obrigada também. Muito obrigada a todos que compraram os livros, não só da Saga Jishu, mas dos demais... ser autora nacional valeu muito por causa de vocês.


E fica aqui também o meu muito obrigada a Gabriela Tavares, a fofa que me deu a capa de encerramento. Gaby é uma artista nata, com certeza daqui a algum tempo seus desenhos e trabalhos valeram muito, mas ela me presenteou com essa capa exatamente do jeito que eu queria.

Enfim...
Vamos então à capa?




Sinopse

O tempo cura tudo...
Ninomura Kazuo escolheu recomeçar.
Ponto um: terminar uma relação que só estava lhe fazendo mal: ok.
Ponto dois: começar um novo trabalho: ok.
Ponto três:  Por que não buscar a remissão? Dar-se uma chance de conquistar aquilo que chamavam de felicidade?

...menos um grande amor.
Ken Takeshi escolheu lutar.
Ponto um: provar que era inocente e reconquistar a confiança de seu grande amor: ainda não havia conseguido.
Ponto dois:  impedir Nino de namorar outra pessoa: iria conseguir nem que custasse sua vida!
Ponto três: Por que não podia desistir da remissão? Ora! Porque ele e Kazuo eram almas gêmeas e, não importava o quê, não ia abrir mão de sua felicidade!






Enfim, chega de choradeira. Uma etapa se encerra, mas outra se inicia. Aguardem-me com mais. Outros personagens, outras lágrimas, outras vidas. Sempre há tempo de recomeçar.

Josiane Veiga

segunda-feira, 24 de junho de 2013

WattPad - Leia On Line Rendição e A Rosa entre Espinhos

Muita gente, pelo alto custo, não consegue ler minhas obras. Sempre tive essa consciência, e tirando IDC que tem contrato com uma editora, as demais obras sempre forneci via internet para quem solicitasse. Mas, apesar delas serem registradas na biblioteca nacional, fornecer ebooks não protegidos sempre é um risco. Assim, resolvi postar no WattPad Rendição e A Rosa entre Espinhos, divididas em capítulos.
Todos os dias irei atualizar, portanto quem tem interesse em ler, apartir de agora pode acompanhar por lá.


Para tanto, bastam acessar: http://www.wattpad.com/user/JosianeVeiga


terça-feira, 2 de abril de 2013

Resenha: Menina Pastora Louca - Virgínia Cunha Barros






Sinopse
Menina Pastora Louca é um apelido que Laura Rosa recebe assim que decide conhecer todas as religiões possíveis para tentar se encaixar em alguma. Ela se mete com pessoas aparentemente gentis, mas começa a perceber que não é seguro confiar demais em ninguém. Nem em si mesma. "Todos estão jogando o seu joguinho aqui. Veja se ao menos dessa fase você consegue passar". 





 Autora
A escritora Virgínia Cunha Barros nasceu em São Luís - MA e atualmente vive em Belo Horizonte - MG, prestando serviço como corretora de redações.
Desde muito cedo teve o gosto pela literatura estimulado, sendo várias vezes reconhecida na escola como "leitora do mês" por frequentar muito a biblioteca e ler livros todos os dias. Através de coleções como Girassol e Vagalume, identificou-se várias vezes com os personagens de diversos autores brasileiros, como Ganymedes José, Stella Carr, Rosana Rios e Pedro Bandeira. Chegou a ler livros avançados para a idade, que contribuíram de certa forma para seu aprendizado, embora não tivesse maturidade para compreendê-los totalmente. Um exemplo é "Teleco, o coelhinho" de Murilo Rubião.
Aos oito anos de idade, começou seu primeiro "caderno de histórias" e ganhou uma máquina de escrever de brinquedo. Aos doze, foi incentivada a escrever poemas por professores e logo passou a criar personagens e histórias mais consistentes. Com o tempo decidiu reuni-las em cadernos e se encorajou a digitá-las e posteriormente editar seus próprios livros.



E o que a Josy achou?

2° Livro Nacional de 2013. E que bela surpresa, hem?

Já ouviu falar em Virgínia Cunha Barros? Provavelmente não. Ela é praticamente uma desconhecida dentro do mundo literário nacional, que cada vez mais tem espaço para propaganda e publicidade, e cada vez menos para talento.

E isso ela é. Ela é um talento puro, já lapidado, já pronto para ser descoberta e lido por todos. Sua narrativa é ácida, mas incrivelmente bem montada. A história inteira é impecável, e dá de dez a zero em muito livro internacional.

O preço pesa, afinal de contas, é clube de autores né? Mas por menos de dez reais você compra o ebook (eu li em ebook e foi ótimo, mesmo sem o papel, o texto é tão bom que no primeiro dia que peguei li 88 paginas em menos de uma hora!)

Há algum tempo eu havia lido a sinopse do seu livro do Clube de Autores e disse: “Caramba, algo original neste mar de mesmice?”. Levei um tempo, mas enfim consegui ler a obra. E, nossa, a sinopse era apenas uma das facetas de entrada do maravilhoso livro.

Menina Pastora Louca é uma história dividida em “partes” distintas, cada uma contando a história de uma personagem. Eu senti como se fossem vários contos, todos interligados pela ânsia e busca feminina de algo a que se agarrar. A fé e o medo do desconhecido é o tema central do livro. Mas, se engana se pensa que é uma história gospel. Aliás, o tom da autora é muito mais sarcástico e cru do que doce. Por mais que o texto não seja desrespeitoso, as escolhas baseadas em uma fé cega das personagens (especialmente a jovem grega nova-cristã Ariadne) beira a loucura.

Ariadne entra em cena narrando à história de uma mulher na Roma antiga. O machismo se mescla com a trajetória de alguém que busca paz interior, mas se vê confrontada com o medo da perseguição e da punição.  O encontro da jovem grega com Paulo de Tarso é de arrepiar. Fascinada por ele, logo ela precisa anunciar o mundo tudo que conheceu, causando nela e em seu ambiente uma mudança brusca. Ariadne sai de casa, carregando a serva Sofia consigo, pronta para anunciar ao mundo as boas novas. Porém, o que ela recebe é medo e perseguição, afinal de contas, a moça se converte ao cristianismo praticamente na mesma época que Nero declara a morte aos cristãos. 

“O que doía mais era ver a criança. Não devia ter nem dez anos de idade. A violência dos soldados não distinguia mulheres, crianças, nem deficientes físicos, se houvesse algum ali.” Pag 104.


Bônus especial para a emocionante cena em que, pela primeira vez, ela percebe que era má com Sofia, sua pobre serva. Dividir o pão, e as boas novas com a pobre menina órfã foi uma das cenas mais lindas do livro.

“Jesus faz os olhos do cego se abrirem, faz o aleijado andar, e o surdo escutar. Mas o maior milagre é mudar o coração das pessoas.” Pag 72.


Sofia, na segunda fase do livro, recebe a mesma importância que Ariadne. Aliás, como não? A fé que ela teve era muito mais racional que a de sua senhora, mas não menos corajosa e autentica. Sofia conseguiu evangelizar com muita força de vontade. Vem dela também uma leitura histórica do que aconteceu com os apóstolos após Atos. Impressionante os momentos históricos que eu conhecia de forma superficial sendo narrados por uma menina que, ora temerosa, ora corajosa, tinha muito a demonstrar.

Assim que decide se tornar uma embaixadora da verdade, Sofia recebe a companhia do irmão de sua senhora: Percival. O personagem, novo cristão, está na viagem mais por Sofia do que pela mensagem. Ele foi covarde e racional a maior parte do tempo, mas quando a coisa ficou preta mesmo, ele tomou uma posição e protegeu a amiga. 

O relacionamento deles transita entre um amor fraterno e talvez algo mais forte, mas acredito que muito da paixão brotada foi abafada pelas diferenças. Apesar de novo na fé, Percival respeitava a todos os credos, diferente de Sofia, que de tão obcecada em sua religião, não conseguia ver humanidade em ninguém que seguia outra doutrina. Talvez a exceção foi a doce Isis, que a conquistou, assim como todos os leitores. Mas ambos conseguem conviver, chegam a um consenso e ainda produzem fruto (quem lê, entenda..kkk)

Laura Rosa é a personagem principal (se é que pode se considerá-la assim). A personagem é louca. Sim, completamente louca. Mas, uma loucura atiçada pelo lixo de mundo que a cerca, incapaz de lhe dar respostas que tanto anseia. Identifiquei-me muito com ela, completamente cansada e estafada de tanta coisa, buscando na solidão e nos livros a paz que tanto tenta achar. Nesse ínterim de incertezas, a garota é visitada por uma dupla de testemunhas de Jeova, que começam um curso bíblico com ela. Ah, aqui entra as tiradas inteligentes da autora, mostrando que nas pouca vezes que Laura queria ler as Escrituras, era “direcionada” apenas onde interessava aos catequistas, etc. 

Muitas pessoas odeiam a Bíblia porque conhecem dela apenas trechos isolados. Porém, quando realmente estudamos, ficamos fascinados. Por favor, não me entendam mal, não falo de crer. Tenho convicção que o próprio Deus aceita sua fé ou a falta dela. O livre arbítrio é um dom maravilhoso e ninguém precisa crer em nada nesse mundo, mas a simples menção histórica da Bíblia já é magnifica.

Voltando ao livro, percebi que Laura Rosa também foi “induzida” a algumas coisas. No estudo com os TJ ela é confrontada com a frase de que Jesus não é Deus. Porém na Bíblia, ao adorá-lo, Thomé o chama de Deus: “Senhor meu e Deus meu. Jo 20,19-31” Dizem que ele só fala isso por estar surpreso(um sinal de exclamação), mas os judeus jamais exclamavam o nome de Deus em vão. 

Tão logo Laura começa a estudar a história Biblica, tão logo ela percebe o comércio por trás.

“Pareciam querer mais vender Jesus, como verdura do dia.” Pag. 54

Esses pequenos buracos a fizeram ir atrás de mais. Pouco depois ela conhece um rapaz evangélico, e se reúne ao seu grupo para mais estudo. Ela acaba conhecendo uma daquelas igrejas vibrantes, que a seduz imediatamente. A casca bonita consegue dominá-la de tal forma que ela, sempre tão desconfiada com a intenção dos pastores, se vê dizendo a si mesma que num próximo culto levaria todo o seu dinheiro para dar de dizimo. Porém, não por muito tempo. A cada igreja nova que conhecia, conhecia ainda mais alienação e manipulação, percebia mais a diferença religiosa (que exclui) do Cristo que “morreu perdoando quem o matou” (pag. 161).

As tiradas sobre o que ela ouvia no grupo católico sobre Maria me fizeram gargalhar.

“Maria é a esposa do Espírito Santo!”
“E quem casou os dois?”
(pag 170)

E a coragem dela em enfrentar os crentes que difamavam os espiritas:

“A doutrina espírita foi fundada por Allan Kardec, no século 19! Como é que a Bíblia pode condenar uma coisa que nem existia quando foi escrita?”
(Pag. 207).

A autora foi genial nas comparações. Ela pega praticamente todos os versos bíblicos que falam sobre espiritismo e faz perguntas referindo-se a tradução. Vejam bem, a autora não defende o espiritismo, apenas indaga os motivos para tanto ódio por parte do cristianismo. 

Menina Pastora Louca traz mais perguntas que respostas, fazendo pensar. E também traz a loucura da protagonista vindo aos pontos, andando vagarosamente até nossa face... Francamente, a gente nem percebe quando a protagonista se torna alguém demente.

Além das religiões tradicionais, Laura Rosa também estudou o espiritismo e algo relacionado a sonhos (NUNCA TINHA OUVIDO FALAR). Com os olhos, aliás, bastante crédulos, afinal de contas à mãe era espirita e ela não tinha um relacionamento exemplar com a genitora.

Nessa fase do livro, algumas coisas são elucidadas, e sinceramente, fiquei muito surpreendida. A autora conseguiu uma reviravolta de me fazer abrir a boca, pasma.

Algumas pessoas podem ficar confusas com a linguagem liberal da Virginia quando narra os eventos do passado, mas ela se assemelha muito a Scliar no livro “A mulher que escreveu a Bíblia”. 

Bom, de suma sobre o livro é: É o melhor livro que já li em anos. De verdade. E olha que os livros que andei lendo ultimamente foram livros de Marion Z. Bradley, Markus Zusak e John Boyne. Virginia é de um talento que precisa de mais espaço e de leitores (não fundamentalistas... muitos ficariam horrorizados com as perguntas que ela faz).

Enfim, para mim nota máxima para o livro. Não tenho NENHUM ponto negativo a destacar ou mencionar. Obra magnifica do começo ao fim.