sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Comunicado aos leitores



Li alguns autores questionando o concurso literário que Traços esteve, porque não houve uma liberação dos votos (votos eram computados em segredo) e também porque muitos livros ditos como excelentes não chegarem nem perto dos 10 primeiros...  (não sou eu que estou dizendo, é o que ouvi falar por aí. Eu particularmente não li nenhuma das obras finalistas, mas tenho que reconhecer que pelo menos dois dos livros finalistas tem apenas uma linha de sinopse e capas não tão bonitas... e acreditem, os votos populares era por sinopse e capa).

Eu acredito na idoneidade de quem fez o concurso, senão não estava nele. Mas, admito, é minha última participação.


Primeiro porque meus livros (destinados a um público que ultimamente até agressões físicas anda sofrendo, fora as de caráter religioso) nunca vão conseguir muitos votos. Segundo porque sei de muita gente que entra lá só pra negativar porque são livros GLBT. Vale lembrar que dentro da própria pagina dos livros eu já recebi criticas destrutivas.

E, em terceiro e mais importante, só os 10 mais votados passam por uma avaliação séria. Ou seja, não é um concurso literário, e sim um concurso de livro mais divulgado...

Durante dois anos seguidos, dois dos meus livros ficaram no quase, a poucos votos de um "segundo turno".
Para mim já deu, nessa. Conversando com alguns leitores, alguns que se demonstraram até chateados tanto quanto eu, pelo preconceito que meus livros recebem do publico em geral (como a Gaby do OL), eu percebi que o objetivo está sendo atingido, apesar disso.

Hoje, Rendição, Redenção e Traços são livros bem vendidos, livros que figuram no topo dos sites onde estão expostos (No Bookess, Rendição e Redenção são os dois livros gays mais vendidos do site http://www.bookess.com/books/listing/filter/sell/category/gay/ nessa categoria), e eu já sou reconhecida como uma autora GLBT de bom nível por grandes sites GLBT como o Nossos Tons.


Desde o primeiro dia que o primeiro livro foi colocado à venda, eu disse que o objetivo era "Quando alguém perguntasse sobre um autor de livros GLBT, lembrassem-se do meu nome". Bom, muitos hoje fazem isso. 

E eu não vou me vender por causa de concursos ou de publico. Anteontem alguém me perguntou isso: "Se seu publico é o queer, vai escrever hetero para atingir outros leitores?".
Tenho três livros heteros, que não foram e nunca serão colocados em tal concurso. Desculpem a todos os blogs literários e fãs de IDC, mas quem mantém a venda dos livros em alta são os leitores da Saga Jishu e Traços.

Meu projeto de escrever um livro hetero depois de terminar Remissão, é apenas porque senti vontade de escrever tal historia, mas não porque desejo atingir outro público. Meu publico é o publico queer, e são poucos autores que mantêm um publico tão fiel (mesmo que a maioria deles ainda não podem me seguir publicamente nem comentar publicamente que lê meus livros!).

Então era isso... Decisão tomada depois de muito pensar. A todos que me questionaram sobre esse livro hetero, saliento que ainda é projeto, não é nada certo. Se escrever, ele terá a importância de REE e Insígnia, ou seja, sempre em segundo plano, porque o foco da minha carreira literária é outro.

Obrigada mais uma vez a todos os leitores que de um jeito ou outro me ajudam nessa caminhada.


Josiane Veiga.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Site Oficial

Tava na hora né?
O blog continuará ativo, mas agora ele é apenas parte de um projeto maior.
Conheça meu site

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Remissão - Travei.

Parece até piada (ou praga), mas o último livro da saga Jishu não quer sair. Já tenho a capa (lindaaaa, presente da Gaby Tavares), já tenho mais da metade do livro pronto, já tenho TODAS as cenas na cabeça, mas simplesmente... não consigo terminar.

É um drama que parece arrancar a alma. Alguém tem alguma noção do montante de leitores que aguardam há mais de um ano pelo desfecho da saga? E os e-mails que recebo? Mensagens no Twitter? No face? Muita gente comprou os dois livros da saga e não tiveram ainda nem a chance de ler os esboços que posto no OL...

Realmente, estou na base do desespero agora...
Já tentei todos os truques das outras vezes, e nada... NADA.. NADAAAAAAAAAAA


Eu prometi a mim mesma que Remissão vai ser meu ultimo livro... Ou pelo menos que após terminar ele eu me daria uns 2 ou 3 anos de folga. Só que eu me esqueci de avisar direitinho pro cérebro e agora o sem-vergonha acha que já tô de férias da literatura.

Assim, está aí minha explicação a todos os leitores. Eu sinceramente lamento muito...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Resenha: Nas Asa da Borboleta



ÍVI CAMPOS surgiu certo dia na minhapage comentando sob seu livro e me oferecendo um exemplar para ler. Admito que primeiramente eu não me senti disposta; há muito que, pra mim, a literatura nacional perdeu a graça. Depois de algumas decepções, eu havia dito a mim mesma que não mais leria livros de autores sem certa “fama” ou aclamados pela crítica. Mas, Ívi parecia diferente. Primeiramente ela era extremamente educada, e depois em nenhum momento ela considerou que estava colocando algo perfeito ao meu dispor (acreditem, tem muito autor que te oferece livro como se ler sua obra fosse um presente de Deus ao qual você devia ser eternamente grato!). Ívi parecia mais uma autora querendo uma critica, sendo ela boa ou má. E foi por isso que a coloquei na listinha de leitura.

Aceitei. E, realmente, não me arrependo.

Recebi o livro ontem, li 25 páginas, e hoje o salvei no desktop dos dois pcs (do trampo e de casa) e em cada momento de folga o li. Então, parabéns pra mim que conseguiu ler a obra enorme tão rápido, (rs). Sim, foram mais de 300 páginas em dois dias.

O livro tem uma narração muito boa, a Ívy não comete erros, nem de gramatica, nem de ortografia (eu pelo menos não vi nenhum significativo ou que me incomodasse). Sua narração, ora melancólica, ou realista, me lembrou muito o Sérgio Camash (outro autor que gosto muito). Acho que ela pegou perfeitamente o drama e o enredo de ser mulher num país chamado Brasil.

De cara, logo no prólogo, somos confrontados com Fatima, uma grávida que tem que trabalhar para sustentar o marido alcóolatra.  Saliento que o texto inicia-se no final dos anos 70, onde casar era obrigação feminina e divórcio era impensável.

Fátima, a faxineira que sustenta a família, é a mãe de Natalia, a protagonista. A força e coragem das duas são bem acentuadas, mesmo quando os destinos de ambos se desencontram. Não são mulheres fracas ou frescas, são guerreiras numa sociedade que ainda coloca a mulher como um ser “a parte”, algo que não merece consideração.

Mesmo o tempo que transcorre (dos anos 70 até depois da virada do século) demonstra que algumas conquistas femininas são feitas, mas no geral a mulher continua a ser vitima, muitas vezes de si mesma.

O livro, narrado em primeira pessoa, constrói bem a protagonista. Você sabe como ela é, do que gosta, até dos atores que ela considera mais bonitos. Você entende como ela cresceu, quais são seus valores, e também as pequenas características (como ler bons jornais, etc) que a transformaram numa profissional de sucesso. Mas, acima de tudo, você compreende a necessidade simples e quase instintiva de mulher: Natalia quer amar, ser amada, construir uma família e ter filhos.

Tão simples, ne?

Mas, essa coisa “simples” é uma das mais difíceis que alguém pode ter.

O livro é altamente filosófico. Ele não tem muito enfoque em situações e sim em pensamentos. Nisso ele pode ser um pouco cansativo, já que eu estou acostumada a algo mais “elétrico”. Parecia que tudo demorava muito para acontecer, e tinha horas que me via pulando algumas páginas, em busca de mais emoção.

Ívy trouxe na obra também um personagem que surpreendeu E, fushojismo a parte, acho que o melhor amigo dela foi a agradável surpresa da obra. Gentil, educado, perfeito... a autora conseguiu a façanha de não estereotipar, o que é uma grande coisa na nossa atual literatura. Também é dele os momentos cômicos, as tiradas certeiras, e as hilariantes comparações entre homens e mulheres. Apesar de, não nego, preferir ele gay (só gay!).

Nas Asa da Borboleta é um livro de uma mulher para mulheres. Ele trata de questões simples, e outras mais complexas, em momentos distintos e com muita delicadeza. Escancara a realidade de muitas (fingir orgasmo apenas para não decepcionar o parceiro) e também traz o poder de uma amizade sincera e gentil. Você se surpreende com a carga dramática e emocional que carrega alguns personagens, e também se emociona com outros.

É uma boa surpresa dessa nova leva de escritoras.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Resenha: Criança 44



Como todos já sabem, ando numa fase meio de saco cheio da literatura nacional. Já havia comentado no face que havia gasto um bom dinheirinho em livros nacionais que foram indicados em vários blogs de literatura, e acabei praticamente jogando o $$ no lixo. Tirando os autores de sempre, Luciane Rangel, Rafa Rocha, Samila Lages, Catalina Terrassa, etc... realmente, é bem complicado nosso cenário atual. Como meu blog não é sobre resenhas (eu faço resenhas sim, mas esporadicamente. A intenção do meu blog é falar de MEUS LIVROS), não vou ficar aqui citando títulos ou apontando dedos. 

Porém, é fato que hoje em dia qualquer um com dinheiro no bolso publica. Uma boa parte das editoras só quer $$ e muitos blogs de literatura só se interessam por livros que irão ganhar se resenharem com elogios (diga-se de passagem, muita das vezes, elogios inventados).

Assim, chutei o pau da barraca e me voltei ao submarino, mais precisadamente ao “literatura internacional”. Markus Zusak me devolveu o gosto em deitar na cama e adentrar numa história. Seu fantástico “A Menina que Roubava Livros” me fez voltar a gostar de ler. Então, há alguns dias fui atrás de o seu “Eu sou o mensageiro”. Como estava muito barato e eu queria aproveitar o frete, adquiri mais algumas obras.

Entre elas estava “Criança 44” de Tom Rob Smith. Não conhecia o autor e até então nunca tinha ouvido falar do livro. Mas, a capa demonstrando aqueles trilhos banhados em sangue – muito me lembrava Auschwitz – e o texto que deixava claro se tratar de um pós 2º guerra, me interessou de cara.

O que posso dizer? Acho que todas as pessoas do mundo deviam ler o livro.

É bem verdade que o sistema comunista da Ex-URSS e a Alemanha Nazista são tratadas de forma muito semelhantes (para não dizer iguais!), e a forma de alienar o povo também era bastante parecidas. Coibir opiniões, torturar qualquer pessoa que se manifestasse de forma contrária aos horrores praticados, obrigar as crianças a “Amar Stalin”, etc, eram apenas exemplos do que acontecia dentro do sistema.

A história é rica, perfeita e simplesmente eletrizante. Tom Rob criou (não... não só criou, ele construiu) um texto com personagens completamente humanos. Pessoas que sofriam, choravam, tinham duvidas e medos. A fome (de comida e pela sobrevivência) é bem tratada nas linhas, e até a vilania e maldade de alguns (que final foi aquele? Simplesmente espetacular saber quem foi o assassino!) era completamente justificada pela loucura de uma época em que só aqueles sem consciência podiam aguentar as pressões.

Depois de muito tempo me vi torcendo pelo casal dos livros. Depois de muito tempo mesmo! Raissa, uma garota órfã que foi vítima de abusos sexuais dos aliados quando a guerra acabou, e Liev, um homem cujo passado pesava mais que o sangue de inocentes em suas mãos, não formam nem de longe um casal normal de romances. Ela o odeia. Sim, odeia. E não é aquele ódio idiotinha de “Não gosto dele, mas mal posso esperá-lo para que ele me leve para a cama” como a maioria dos clichês por aí.  Ela o detesta verdadeiramente. Mas, que escolha teria Raíssa? Depois de tantos abusos, como se negar a casar com um homem que poderia mandá-la a campos de trabalho forçado em apenas alguns segundos se o ousasse rejeitar?

Contudo, o sentimento brota. E nisso o autor foi perfeito. Enquanto você lê, tenho certeza que terá duvidas sobre o amor (necessidade ou comodismo?) entre ambos, mas é simplesmente impossível não torcer para que eles fiquem juntos no final.

O enredo se baseia em um serial killer, que mata crianças sempre da mesma forma: próximo a trens, sob a neve, abrindo suas barrigas e torturando-as mantendo-as presas por barbante nos pés. 

Liev, o protagonista, precisa descobrir quem é o psicopata, mas antes precisa lutar contra o próprio sistema, que nega que existe alguém que pratique tais atos.

Criança 44 é um livro que merece ser lido e aproveitado. Eu li tão rápido (devorei) que pretendo relê-lo novamente em breve. Um prato tão saboroso merece ser melhor degustado.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Traços está concorrendo no III Premio Clube de Autores

Carinhos
Traços está concorrendo no III Premio Clube de Autores. Lembrando que ano passado Rendição conseguiu ficar em 11º lugar, e por um ponto não chegou a 2º fase.
Por favor me ajudem a levar Traços para a 2º fase votando no livro:

http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=128616

Eu realmente preciso que dêem nota 5 para todos os quesitos.
Obrigada!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Selinho e TAG

Dona Kamy me passou, então vamos lá!



Regras da TAG:

✹Criar um post e responder as questões de quem lhe enviou a TAG.

✹Criar 11 perguntas diferentes para passar adiante.

✹Escolher 11 Blogs para dar a TAG e colocar o link das mesmas no post.

✹Avisar as blogueiras escolhidas que foram Taguiadas.


Perguntas enviadas:


1- Se você não fosse um ser humano, o que gostaria de ser? (vale até plantas, planetas, etc...)

Um felino... gatos ou tigres...
2- Como você se sente ao estar lendo algum livro?
Eu gosto, me relaxa.
3- Para você, o que deveria ser exterminado do mundo?
Hipocresia.
4- Quando vê algum preconceituoso, o que sente vontade de fazer? (racista, homofóbico, etc...)
Nossa, nem me fala. Sinto uma mistura de raiva e pena.
5- Se desse de cara com seu ídolo, agora. O que falaria/pediria a ele?

Diria: Nino, arruma seu amor, e mande o resto do mundo pro inferno.
6- O que de mais engraçado aconteceu até hoje e você não consegue lembrar, sem rir?
No momento não me vem nada a mente.
7- Se pudesse mudar a história de algum filme, qual seria? E por quê?
Vou citar livro/filme - queria que Claudia não tivesse morrido em Entrevista com Vampiros.
8- Se pudesse ter algum poder, qual teria?
Queria o Death Note
9- Leu algum livro e não gostou dele?
Este.
10- Para qual cidade, ou País, você gostaria de ir? Por quê?
Peru.
11- Se pudesse colocar em um dos canais brasileiros, algum programa que você mais gosta de outro País, qual seria?
Nenhum. Não quero o arashi na TV brasileira... de fãs idiotas, já bastam a que temos.



Perguntas que faço:
1- Defeito?
2- Qualidade?
3- Um momento inesquecivel?
4- Uma pessoa inesquecivel?
5- Um sonho?
6- Um livro?
7- Um filme?
8- O que acha da literatura nacional?
9- Uma musica?
10 - Gatos ou cachorros?
11- Se você pudesse visualizar a si mesmo aqui a 30 anos. Como gostaria de se ver?

Adoraria que respondessem esta TAG:
http://www.arfortaleza.com/
http://analiseeleituras.blogspot.com/
http://www.cacadoradelivros.com/
http://www.ladygraciosa.com/
http://suellen-san.blogspot.com/
http://sergiocarmach.blogspot.com/
http://livro-guardians.blogspot.com/
http://catalinaterrassa.blogspot.com/
http://giselecarmona.blogspot.com/
http://samilalages.blogspot.com/
http://aoyagiritsu.blogspot.com/

domingo, 19 de agosto de 2012

2° Edição de A Insígnia de Claymor - PROMOÇÃO DE LANÇAMENTO ATE DIA 22!

Muitos já haviam me pedido, e eu esperei chegar as férias para poder trabalhar nesse projeto. Enfim, essa é a edição final de A Insígnia de Claymor. Usei nela os comentários e conselhos de escritores, editores, blogueiros, enfim... dei tudo de mim para entregar um bom trabalho.
Estava em dúvida em relação a capa. A capa anterior agora virou contracapa, e essa edição me apresentou dois excelentes capistas que me sugeriram dois projetos diferentes. Optei pelo segundo, de um rapaz americano chamado Billy.
Desde o inicio eu deseja algo com sangue e cruz. Todo o livro é uma narrativa em cima da inquisição e da hipocrisia religiosa. Portanto, nada mais natural de que uma cruz envolta em sangue.

Com esse projeto finalizado, agora me dedicarei integralmente a Remissão.

Aproveitem o preço promocional:

De R$ 43.52 por:
R$ 37,49 

SO ATÉ O DIA 22



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Resenha: EU – de Ricky Martin

Admito que a primeira vez que soube que Ricky Martin havia escrito uma obra autobiográfica, fiz cara feia. O que um cantor popular saberia sobre literatura? Bom, sou uma pessoa preconceituosa. Já torci o nariz várias vezes para vários autores. Contudo, alguns me fizeram dar a mão a palmatoria. Ricky Martin me fez dar o corpo inteiro.


O livro narrado em primeira pessoa, nos seus primeiros capítulos parece um tanto vago. A explicação inicial do autor que “respeitaria a privacidade dos envolvidos, e não citaria nome ou usaria nomes fictícios” foi um balde de água fria em mim. 

Porém, admito: gosto de Ricky Martin. Sempre gostei de sua forma espontânea e bela de se portar. Acho-o um artista completo, e nisso nem preciso frisar que ele é uma delicia aos olhos. E foi por admirá-lo que continuei a ler. Que bom que insisti. O livro não merece a nota “2” que dei no meu histórico de leitura do Skoob ao terminar os primeiros capítulos.

O livro é bom. 

Foi fantástico conhecer o homem por trás do astro. Ricky não teve medo de se expor, expor sua humanidade, falar de assuntos que muito esconderiam. 

“Passei alguns anos agindo como o típico macho alpha, um total conquistador.”


O homem que hoje se assume gay, admite que teve muitas mulheres. No livro, ele narra sua primeira experiência significativa com uma mulher, a qual assume que teve forte conexão. Porém, era jovem e imaturo, e logo se envolveu com outra, casada. 

Essas duas mulheres foram pessoas que o marcaram, que balançaram sua alma, mas ele não as amou...  

Seu primeiro amor foi um homem.

Sim. 

Ricky amou um homem, em primeiro lugar. 

Antes de se envolver com elas e ele (nomes não citados), ele teve vários relacionamentos com toda sorte de pessoas, velhas, novas, homens, mulheres, casados, solteiras, divorciados, e etc. Mas, claramente a primeira pessoa que ele amou foi um cara.

As cenas românticas, que iam do primeiro encontro – amor a primeira vista – as musicas dedicadas de forma enigmática e com códigos, me comoveram. Não sei quem foi esse homem, mas acho uma pena que ele não tenha aceitado a proposta de Ricky “Fugir e deixar tudo para trás para viverem juntos na Europa, Asia... qualquer lugar”.

Para Ricky “nada mais importava”. De forma impulsiva, ele estava pronto para assumir sua homossexualidade – friso que estamos falando do começo da década de 90, onde o preconceito era pior que hoje – para viver esse amor. 

A relação durou um certo tempo, mas foi quando terminou, que Ricky se assumiu pela primeira vez – para a mãe.

Outra surpresa foi descobrir que Ricky quase se tornou evangélico. Na época, ansioso por esquecer sua condição sexual – vale lembrar que ele sofreu tanto pelo fim do relacionamento que pensou que fosse um castigo divino – que encontrou um grupo que lê a Bíblia.

Apaixonou-se imediatamente por Jesus. Ora, isso é muito fácil de acontecer. Eu também me apaixonei, quando O Conheci. O problema do cristianismo é um só: os cristãos. Assim que ele passou da primeira fase do amor, foi bombardeado com “Se você for X vai arder no inferno”. Assim como eu, RM conhece muito gays, agnósticos, ateus, etc. E assim começaram os questionamentos.
RM descobriu que qualquer um que questiona os preceitos religiosos se torna um cão lazarento. Isso foi nos EUA, mas podia ser no Brasil, na Arábia, no Japão. Não importa. O próprio Jesus, quando começou a questionar os fariseus foi morto. O que nos salva hoje é que matar é crime. Só isso.

“Eles me atacam, mas me amam; eles me aceitam, mas me excluem”. 

Isso RM escreveu na página 104 de seu livro, mas podia muito bem ter sido escrito por um médico em uma comunidade do Orkut (...). Ou seja, ou se abaixa a cabeça para preceitos “Paulianos”, ou se é “morto” em qualquer sentido – do literal ao figurado.

EU é um livro que viaja pela alma desse fantástico artista. Do filantropo ao pai, do homem caliente ao romântico que tudo que queria era viver seu amor... EU é uma biografia bonita, humana e cheia de espiritualidade.
Recomendadíssima! 

NOTA 10!!!